Eduardo Militão
O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, disse que não está nos planos do governo assumir prejuízos decorrentes de um eventual adiamento da votação da matéria para o próximo ano. Se a prorrogação da CPMF não for aprovada até 31 de dezembro, o “imposto do cheque” só poderá ser cobrado três meses depois da aprovação da proposta no Congresso – a chamada “noventena”.
“Nós sempre trabalhamos com a hipótese melhor. Nós não trabalhamos com a noventena”, declarou o ministro, ontem (27), após reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.
A oposição diz ter os votos necessários para vencer o governo. Mas não é a única a cantar vitória. O líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), acredita que o governo tem 50 votos para derrotar os oposicionistas, já descontadas as dissidências peemedebistas de Mão Santa (PI), Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS). O mínimo necessário é de 49 votos.
O ministro Múcio, que já admitiu uma vitória apertada prefere agora não fazer contas em público. “Se somarmos o que achamos que temos com o que eles [a oposição] acham que têm, dá mais que o número de senadores”, afirmou o coordenador político do Planalto.
Jantares
Ele mantém a agenda de conversas com senadores da base para garantir os votos em plenário. Ontem (27) à noite, iria jantar com senadores do PTB na casa do senador Gim Argello (PTB-DF). Na bancada de seis parlamentares, dois estão do lado da oposição: Mozarildo Cavalcanti (RR) e Romeu Tuma (SP).
O festival gastronômico do ministro das Relações Instituições não pára por aí. Hoje (28), Múcio janta com os peemedebistas na casa da líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA). O ministro explicou a preferência pelos lugares. “Achei melhor conversar com os senadores nos espaços em que eles acham convenientes. Eu espero uma conversa ótima [com o PTB]. Já falei com o presidente do partido [o ex-deputado Roberto Jefferson].”
Assim como o PTB, o PR, outro partido complicado para o governo, decidiu não fechar questão sobre a renovação da CPMF. Os senadores Expedito Júnior (RO) e César Borges (PR-BA) são votos quase certos pela rejeição da contribuição.