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Leia a íntegra da manifestação de Gonet no julgamento de Bolsonaro

Procurador-geral da República defende punição à tentativa de golpe e reforça envolvimento direto do ex-presidente.

2/9/2025
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Na sessão de julgamento desta terça-feira (2) na ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e demais membros do Núcleo 1 da trama golpista, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, realizou a leitura de sua última manifestação antes dos votos dos ministros. Ele se concentrou na caracterização jurídica e fática da tentativa de golpe de Estado, apontando a existência de uma cadeia articulada de eventos e agentes, todos com o objetivo comum de manter Jair Bolsonaro no poder, apesar da derrota eleitoral.

A denúncia, segundo ele, não pode ser lida como uma série de episódios desconexos, mas como "relato de uma sequência significativa de ações voltadas para finalidade malsã" para "tentar depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído." Gonet afirmou que "todos colaboraram, na parte em que lhes coube em cada etapa do processo de golpe, para que o conjunto de acontecimentos criminosos ganhasse realidade".

Gonet retomou principais pontos da trama golpista em sua manifestação.Antonio Augusto/STF

A manifestação evidenciou o uso reiterado da máquina pública para desacreditar o processo eleitoral e articular a ruptura da legalidade democrática. Gonet mencionou o uso da Polícia Rodoviária Federal para impedir ou dificultar o voto de eleitores no Nordeste, com ações "de retenção de eleitores, com o objetivo de atrasá-los no caminho para as urnas".

Também denunciou a utilização da Agência Brasileira de Inteligência como instrumento de espionagem interna contra opositores e membros do Judiciário, revelando que "a ABIN e o GSI operavam como instâncias de inteligência paralela, prontamente acionados pelo Presidente". Cita ainda o incentivo institucional a acampamentos golpistas em frente a quartéis, mantidos com apoio logístico e orientação política, os quais culminaram nas ações violentas de 8 de janeiro de 2023.

Gonet detalhou também os planos concretos de golpe, com destaque para a apresentação de decretos golpistas a comandantes militares e o plano "Punhal Verde Amarelo", que previa o sequestro e o assassinato de autoridades, inclusive do então presidente eleito. "Essa etapa do golpe foi minuciosamente planejada, com descrição escrita de estágios e finalidades", afirmou.

Confira aqui a íntegra da manifestação.

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