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Projeto prevê até 30 anos de prisão por desvio na saúde e educação

Texto do deputado Duda Ramos (MDB-RR) prevê aumento da pena em casos de calamidade e se houver mortes por falta de atendimento.

8/9/2025
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O deputado Duda Ramos (MDB-RR) apresentou o projeto de lei 4465/2025, que altera o Código Penal para criar para criar uma nova tipificação específica contra o desvio de recursos públicos destinados à saúde e à educação.

A proposta prevê penas de 8 a 20 anos de reclusão, além de multa, para quem "apropriar-se, desviar, utilizar indevidamente ou concorrer, por qualquer forma, para o uso irregular de valores, verbas ou bens destinados" a serviços públicos nessas áreas.

Segundo o texto, as penas podem ser aumentadas de um terço até a metade se o crime for cometido por ocupante de cargo de direção ou fiscalização, ou em períodos de calamidade pública, emergência sanitária ou grave crise educacional.

Deputado Duda Ramos apresenta projeto que endurece punições por desvios na saúde e educação.Mario Agra/Câmara dos Deputados

Nos casos em que o desvio resultar em morte por falta de acesso a serviços de saúde ou pela ausência de estrutura educacional essencial, a pena sobe para 20 a 30 anos de prisão.

O projeto ainda estabelece que o crime seja considerado inafiançável e insuscetível de graça, anistia ou indulto, salvo previsão constitucional em contrário.

Na justificativa, o deputado argumenta que o desvio nessas áreas é uma das formas mais graves de corrupção: "Esses desvios não são apenas 'crimes' contra o patrimônio público: eles representam crimes contra vidas humanas e contra o futuro da nação".

Ramos citou operações e escândalos no Norte do país, como a Operação Maus Caminhos, deflagrada no Amazonas em 2016, que investigou desvios de mais de R$ 100 milhões da saúde, e o escândalo da merenda escolar no Amapá (2021), que envolveu fraudes em contratos de alimentação de estudantes.

"O resultado é a reprodução de um ciclo perverso: quanto mais pobre e distante a população, maior o impacto da corrupção, menor a chance de fiscalização e maior a impunidade", escreveu o parlamentar.

O projeto aguarda análise na Câmara dos Deputados.

Leia a íntegra da proposta.

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