Em depoimento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (17), o ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro afirmou que houve uma "perseguição" contra a deputada Carla Zambelli (PL-SP). Ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele foi convocado como testemunha no processo que analisa a cassação do mandato da parlamentar.
Segundo Tagliaferro, a orientação recebida era monitorar tudo o que Zambelli publicasse e elaborar relatórios a serem encaminhados ao ministro. "A orientação era de que fosse feito um pente fino", declarou.
Ele disse ainda guardar documentos que comprovariam essa prática, como cópias de relatórios, e-mails enviados ao gabinete de Moraes e mensagens trocadas com juízes auxiliares. De acordo com o ex-assessor, havia "uma intenção com cunho persecutório, inclusive em palavras. Se dizia: 'vamos pegar ela'".
Além de Zambelli, ele citou outros nomes que estariam entre os principais alvos de monitoramento:
- Allan dos Santos, blogueiro;
- Rodrigo Constantino, comentarista;
- Paulo Figueiredo, comentarista político;
- Daniel Silveira, ex-deputado federal.
A convocação de Tagliaferro ocorreu no âmbito da Representação nº 2/25, instaurada após a condenação de Zambelli pelo STF por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica. A deputada está presa na Itália, à espera de decisão sobre o pedido de extradição para o Brasil. A CCJ avalia se a condenação transitada em julgado deve resultar na perda de seu mandato parlamentar.
Outros depoimentos
As oitivas da comissão começaram na semana passada, com o depoimento do hacker Waltter Delgatti, preso por invadir o sistema do CNJ. À CCJ, ele declarou que a própria parlamentar lhe garantiu que assumiria toda a responsabilidade pela invasão.