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PGR pede novo inquérito sobre interferência de Bolsonaro na PF

Procuradoria afirma que investigações anteriores não afastam suspeitas, e solicita novas diligências à Polícia Federal.

15/10/2025
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (15) a reabertura do inquérito que apura a suposta interferência política do ex-presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal durante seu mandato. O pedido foi apresentado após determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, para que o órgão manifestasse a respeito do arquivamento solicitado em 2022.

O inquérito foi aberto em 2020, quando o então ministro da Justiça e hoje senador, Sergio Moro (União-PR), afirmou que Bolsonaro buscava interferir politicamente na PF ao demitir o diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo. Segundo Moro, o objetivo seria obter acesso a investigações que envolviam familiares e aliados do então presidente.

Pedido foi motivado por declarações de Sergio Moro em 2020 e andamento do inquérito da Abin paralela.Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A disputa entre os dois a respeito da administração da PF resultou na exoneração de Sergio Moro. Os dois somente reataram os laços em 2022, durante a disputa eleitoral, quando o ex-ministro desistiu de sua pré-candidatura ao Planalto.

A investigação anterior da Polícia Federal descartou ingerência política e considerou legal a troca na chefia da corporação. Em 2022, a então vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, solicitou o arquivamento do inquérito. Em 2024, já na gestão Gonet, Moraes solicitou a ratificação do pedido.

Na nova manifestação, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirma que a conclusão da PF, que havia descartado crime, não esgota a necessidade de uma nova apuração. Para a PGR, é "imprescindível" verificar se houve tentativa de uso da máquina estatal para obter dados sigilosos e influenciar investigações criminais.

A PGR vê espaço para um "juízo mais abrangente" sobre os fatos, com base nas novas diligências solicitadas. A Procuradoria argumenta que o caso pode ter relação com as investigações sobre a estrutura clandestina de acesso a dados instalada na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e no Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Processo: Inq 4831-DF

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