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Ao menos 20 ministros devem deixar o governo Lula até abril

Saídas atendem à regra de desincompatibilização eleitoral e devem provocar ampla reformulação na Esplanada.

2/1/2026
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O calendário eleitoral de 2026 deve provocar uma ampla reformulação no primeiro escalão do governo do presidente Lula. Pelo menos 20 dos 38 ministros deverão deixar seus cargos até abril para cumprir o prazo de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral, caso confirmem a intenção de disputar cargos nas eleições de outubro. Desde o início do atual mandato, o ministério de Lula já passou por 14 trocas.

No Palácio do Planalto, a saída desse grupo é tratada como praticamente certa. A previsão é que as exonerações ocorram de forma gradual ao longo do primeiro trimestre, com substituições concomitantes. A orientação do presidente é evitar descontinuidade administrativa e assegurar que os novos titulares permaneçam nos cargos até o fim do mandato.

Auxiliares de Lula avaliam que a mudança pode abrir espaço para uma equipe com perfil mais técnico, menos envolvida diretamente na disputa eleitoral. Por outro lado, reconhecem que a saída de ministros com peso político tende a dificultar a articulação com o Congresso em um momento decisivo da agenda legislativa.

Quem são os ministros que podem deixar a Esplanada para disputar as eleições.Arte Congresso em Foco

Senado concentra prioridade do Planalto

A principal frente eleitoral do governo deve ser o Senado. A expectativa no Planalto é que ao menos oito ministros disputem vagas na Casa, considerada estratégica para a relação entre os Poderes. Em 2026, serão renovadas 54 das 81 cadeiras do Senado, o equivalente a dois terços da composição. A Casa também se tornou prioridade eleitoral para a oposição.

A preocupação de Lula com a correlação de forças no Senado tem sido recorrente. Cabe à Casa analisar indicações para tribunais superiores, agências reguladoras e eventuais processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, o governo busca montar palanques competitivos nos estados para conter o avanço da oposição.

Entre os ministros cotados para a disputa ao Senado estão Rui Costa (Casa Civil), pela Bahia; Alexandre Silveira (Minas e Energia), por Minas Gerais; Simone Tebet (Planejamento), por São Paulo ou Mato Grosso do Sul; e Marina Silva (Meio Ambiente), que avalia a candidatura conforme a definição das alianças estaduais.

Disputa pela Câmara e governos estaduais

Além do Senado, parte dos ministros deve concorrer à Câmara dos Deputados. Um dos desfalques mais sensíveis para o governo será o da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), responsável pela articulação política com o Congresso. Deputada licenciada, ela deve deixar a pasta para tentar renovar o mandato parlamentar.

Há também ministros cotados para disputar governos estaduais. Márcio França articula candidatura ao governo de São Paulo pelo PSB, enquanto Renan Filho trabalha para disputar o Executivo de Alagoas pelo MDB. Essas definições interferem diretamente na montagem dos palanques regionais do presidente.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ocupa posição central nesse processo. Próximo de Lula, ele tem sinalizado preferência por integrar a coordenação da campanha presidencial, mas é pressionado pelo PT a disputar o Senado ou o governo de São Paulo. Sua eventual saída, cogitada para fevereiro, é acompanhada com atenção pelo mercado e por aliados do governo.

Caso concorra ao Senado ou ao governo paulista, Geraldo Alckmin (PSB) terá de deixar o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Ele, no entanto, não precisaria se afastar da Vice-Presidência da República. A tendência, neste momento, é a manutenção de Alckmin na chapa de Lula para a disputa da reeleição. Seu desempenho nas negociações comerciais com os Estados Unidos foi elogiado publicamente pelo presidente em mais de uma ocasião.

Calendário apertado

O prazo para desincompatibilização termina em 6 de abril de 2026, seis meses antes do primeiro turno. A exigência está prevista na Lei Complementar nº 64/1990, que busca impedir o uso da máquina pública em benefício eleitoral.

Em reunião ministerial realizada em dezembro, Lula afirmou que não pretende impedir a saída de ministros que decidam disputar eleições, mas cobrou compromisso político. O presidente classificou 2026 como "o ano da verdade" e sinalizou que espera resultados eleitorais dos auxiliares que optarem por deixar o governo.

Outras possíveis baixas

O governo também pode registrar baixas no primeiro escalão por motivos alheios ao calendário eleitoral. Indicado por Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, o advogado-geral da União, Jorge Messias, pode deixar o cargo caso tenha o nome aprovado pelo Senado. A sabatina foi adiada para 2026, em meio a negociações políticas para viabilizar a indicação.

Outro possível desfalque é o do ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. O ex-ministro do STF tem dito a aliados que avalia deixar o cargo no início do próximo ano para se dedicar à família. À frente da pasta, Lewandowski encaminhou ao Congresso a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, o projeto de lei antifacções e retomou a demarcação de terras indígenas.

Também é esperada a saída do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, que deve deixar o cargo para atuar diretamente na campanha de Lula. No Planalto, a avaliação é que o sucessor precisará reunir perfil técnico e capacidade política para sustentar a narrativa do governo em ano eleitoral.

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