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FPA reage a tarifa chinesa e pede ação rápida para carne bovina

Bancada ruralista quer negociação com Pequim para evitar instabilidade no mercado e queda na renda do produtor.

2/1/2026
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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) reagiu com preocupação ao anúncio do governo da China de que passará a impor, a partir de 2026, um sistema de cotas tarifárias por país para a importação de carne bovina, com aplicação de tarifa adicional de 55% sobre os volumes que excederem o limite anual. Para a bancada ruralista, é necessário agir rapidamente para evitar instabilidade no mercado e impactos negativos já no início do ano.

Em nota, a FPA afirmou que a medida "exige reação imediata" e anunciou que irá atuar junto ao Ministério da Agricultura (Mapa), ao Itamaraty e à área de comércio exterior do governo federal para abrir um canal de negociação com as autoridades chinesas. A bancada também pretende solicitar um levantamento técnico detalhado do fluxo recente das exportações, com o objetivo de embasar a estratégia brasileira e reduzir o risco de desorganização do mercado, efeitos sobre o abate e queda na renda dos produtores.

No caso do Brasil, a cota anual foi fixada em 1,1 milhão de toneladas.Cidasc/Governo de SC

A decisão chinesa faz parte de um movimento de proteção à indústria pecuária local, em meio à desaceleração do consumo interno e à preocupação do governo de Pequim com a renda dos produtores domésticos. Na prática, o novo modelo cria um limite mais rígido para a entrada de carne estrangeira no país, hoje o maior importador mundial de carne bovina.

Pelas regras anunciadas pelo Ministério do Comércio da China (MOFCOM), cada país exportador terá direito a um volume anual com manutenção das tarifas atuais. A partir do terceiro dia após o atingimento da cota, os embarques adicionais estarão sujeitos a uma tarifa extra de 55%, aplicada sobre as alíquotas já em vigor. Os volumes não utilizados não poderão ser transferidos para o ano seguinte. O sistema valerá até o fim de 2028.

No caso do Brasil, a cota anual foi fixada em 1,1 milhão de toneladas, volume considerado inferior ao patamar atualmente exportado. Entre janeiro e novembro deste ano, o país exportou 3,15 milhões de toneladas de carne bovina, sendo 1,52 milhão de toneladas destinadas à China. Em 2024, o mercado chinês respondeu por 51,3% das exportações brasileiras do setor; em 2025, essa participação subiu para 53,9%, considerando carnes fresca, refrigerada e congelada.

Além do Brasil, as cotas definidas para outros grandes exportadores foram: Argentina (510 mil toneladas), Uruguai (320 mil), Austrália (200 mil), Nova Zelândia (200 mil) e Estados Unidos (160 mil).

A elevada dependência do mercado chinês amplia o impacto da medida sobre o Brasil. Estima-se que a China responda por aproximadamente metade das exportações brasileiras de carne bovina.

Veja a nota da FPA:

"FPA: é preciso agir rápido para evitar impacto alto da salvaguarda chinesa neste início de 2026

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) acompanha com preocupação a medida anunciada pela China sobre importações de carne do Brasil. O tema já estava no radar e, agora, exige reação rápida para evitar instabilidade no mercado e efeitos no abate e na renda do produtor no início de 2026.

A FPA vai atuar imediatamente junto ao MAPA, Itamaraty e à área de comércio exterior do governo para abrir um canal de negociação com as autoridades chinesas e buscar soluções que preservem previsibilidade ao setor.

Também solicitará um levantamento técnico sobre o fluxo recente das exportações para embasar a estratégia brasileira e reduzir riscos de redução e desorganização de mercado.

Frente Parlamentar da Agropecuária"

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