Durante a cerimônia do Globo de Ouro, o diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho usou o palco da premiação para comentar o cenário político recente do Brasil, relembrar a "guinada autoritária" vivida pelo país na última década e criticar a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso.
Em sua fala, o cineasta afirmou que o Brasil passou por uma "virada à direita" há cerca de dez anos, processo que, segundo ele, chegou ao fim. Kleber mencionou diretamente o ex-presidente ao dizer que Bolsonaro foi irresponsável ao não liderar o país em um momento decisivo da história recente.
"O ex-presidente agora está preso. Ele foi irresponsável, de forma épica, em não liderar o país. E eu realmente acredito que os filmes, o cinema, podem ser uma forma de expressar alguns dos lutos, das dificuldades e tristezas que temos em termos da sociedade em que vivemos."
Durante o discurso, Kleber fez ainda um apelo aos jovens cineastas dos Estados Unidos. Ele afirmou acompanhar de perto a produção audiovisual norte-americana e destacou que há hoje muitas ferramentas tecnológicas disponíveis para a criação artística. Segundo o diretor, este é um momento em que os realizadores precisam se expressar sobre o que acontece em suas próprias sociedades.
Kleber encerrou sua fala incentivando cineastas mais jovens a usar o cinema como espaço de reflexão e posicionamento diante dos desafios políticos e sociais contemporâneos, destacando o papel da arte na defesa da democracia e da liberdade de expressão.
O Agente Secreto
O prêmio recebido por Kleber foi concedido ao filme O Agente Secreto, produção brasileira que aborda temas como vigilância, repressão política e os efeitos duradouros do autoritarismo na vida cotidiana. A obra dialoga com episódios da história recente do Brasil e explora a relação entre poder, medo e silêncio.
Ambientado em um contexto marcado pela instabilidade institucional, o filme acompanha personagens envolvidos em redes de controle e espionagem, expondo mecanismos de dominação que ultrapassam regimes específicos e se mantêm presentes mesmo após períodos de transição democrática. A narrativa aposta em uma construção gradual de tensão, característica recorrente na filmografia do diretor.