A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) usou as redes sociais para denunciar ataques transfóbicos direcionados à atriz Bruna Marquezine após a repercussão internacional de rumores sobre um possível relacionamento da brasileira com o cantor canadense Shawn Mendes. Segundo a parlamentar, o episódio evidencia como a transfobia extrapola o alvo direto das pessoas trans e passa a atingir mulheres cis que não se encaixam nos padrões sociais estabelecidos, especialmente mulheres não brancas.
A visibilidade do suposto relacionamento ganhou força após Bruna e Shawn viajarem juntos aos Estados Unidos depois do Réveillon, período em que haviam sido vistos no Brasil. Com a circulação de imagens do casal fora do país, o assunto passou a ser comentado por perfis estrangeiros voltados à cultura pop e celebridades, ampliando o alcance do debate para além do noticiário nacional.
O ataque ocorreu na plataforma X (antigo Twitter), depois que a página Pop Tingz publicou, em 5 de janeiro, informações sobre os rumores de namoro. Nos comentários, usuários associaram Bruna Marquezine à transexualidade de forma pejorativa. "Isso definitivamente é uma mulher trans", escreveu um internauta, acompanhando a frase de um emoji de choro.
A associação, feita exclusivamente a partir da aparência física da atriz, utilizou a identidade trans como forma de desqualificação, reforçando a ideia de que ser trans seria algo negativo. A publicação gerou reação imediata de internautas, principalmente brasileiros, que rebateram o comentário lembrando a trajetória profissional de Bruna, figura pública conhecida desde a infância.
Ao comentar o caso, Erika Hilton afirmou que episódios como esse demonstram que a transfobia cria uma lógica de paranoia e perseguição, que não se restringe às pessoas trans. A deputada citou outros casos recentes envolvendo mulheres cis que foram alvo de ataques semelhantes, como a brasileira Thais Matsufugi, confundida com uma mulher trans após participar de uma campanha publicitária, e a personal trainer Kely Moraes, impedida de usar o banheiro feminino de uma academia após ser identificada erroneamente como trans.
Para Erika, discursos transfóbicos difundidos por setores da extrema direita constroem a imagem de pessoas trans como uma ameaça social, apesar de representarem uma pequena parcela da população. O efeito, segundo ela, é uma "caça às bruxas" que acaba vitimando mulheres negras, latinas, indígenas, asiáticas, lésbicas, pessoas com deficiência ou fora dos padrões de beleza, historicamente marginalizadas.
Ao final da publicação, a deputada alertou que o discurso transfóbico não se limita a um grupo específico e pode se voltar contra outros segmentos da sociedade. Para Erika, apoiar esse tipo de narrativa significa reforçar um ciclo de exclusão que tende a se expandir, colocando em risco direitos e a dignidade de diferentes grupos sociais.
Um bando de esquisitões e incels dos EUA está atacando a atriz brasileira Bruna Marquezine por acharem que ela é trans.E, pela milésima vez, tivemos a prova de que a transfobia não afeta apenas as pessoas trans.A transfobia pode afetar qualquer pessoa diferente dos padrões…
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) January 14, 2026
Até o momento, Bruna Marquezine não se manifestou publicamente sobre o episódio. A atriz segue mantendo discrição sobre sua vida pessoal.