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BRB descarta intervenção e afirma ter plano para crise do Master

Banco afirmou que auditorias ainda estão em curso e que eventual capitalização só será avaliada após análises técnicas.

20/1/2026
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O Banco de Brasília (BRB) afirmou nesta segunda-feira (19) que não há risco de intervenção na instituição e que sua estrutura patrimonial é suficiente para absorver eventuais impactos decorrentes das apurações envolvendo o Banco Master. Em nota oficial, o banco estatal do Distrito Federal informou que avalia a alienação de ativos recuperados do banco privado como uma das alternativas para fortalecer sua posição financeira.

O posicionamento da instituição veio após a circulação de informações sobre uma possível necessidade urgente de capitalização. O BRB sustentou que qualquer decisão nesse sentido só será considerada depois da conclusão de das auditorias independentes e das avaliações conduzidas pelo Banco Central.

"Caso seja necessário, o BRB dispõe de plano para recomposição de capital e destaca que eventuais aportes do acionista controlador não retiram recursos previstos no orçamento para políticas públicas."

BRB negou necessidade imediata de aporte e afirmou manter diálogo técnico com o Banco Central. Gabriela Biló/Folhapress

Mais cedo, o Ministério da Fazenda já havia se manifestado para negar que o ministro Fernando Haddad tenha discutido com o governo do Distrito Federal. ou com a direção do banco, a realização de um aporte imediato para evitar intervenção. O ministério não comentou, entretanto, sobre possíveis tratativas técnicas mantidas com o Banco Central no acompanhamento do caso.

Auditorias

O Banco de Brasília informou que os valores relacionados a eventuais prejuízos ainda estão sendo apurados por auditoria independente e pelo Banco Central. Em razão disso, o banco não divulgou o balanço do terceiro trimestre e não há, até o momento, dados públicos atualizados sobre sua situação financeira.

Segundo a instituição, todas as operações ligadas ao episódio estão sob investigação forense conduzida por escritório independente, com acompanhamento das autoridades competentes. O BRB ressaltou ainda que mantém suas atividades regulares e que "qualquer número não oficial divulgado publicamente é meramente especulativo".

Impacto da crise do Banco Master

A situação do BRB está diretamente ligada às investigações que envolvem o Banco Master, alvo de apurações por suspeitas de fraudes em carteiras de crédito. Informações do Banco Central encaminhadas ao Ministério Público indicam que banco público adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras posteriormente classificadas como fraudulentas, que foram substituídas e seguem em processo de avaliação.

Além disso, o BRB teria aportado mais de R$ 5 bilhões no Master por meio de outras operações financeiras, incluindo a aquisição de cotas de fundos de investimento. A atual administração do banco, que assumiu após a mudança de comando no ano passado, trabalha para dimensionar os efeitos dessas transações realizadas ao longo de 2024 e 2025.

Exigências prudenciais

As operações com o Banco Master também levaram o BRB a descumprir, de forma temporária, exigências prudenciais estabelecidas pelo Banco Central. A instituição ficou desenquadrada por ao menos dois meses, entre janeiro e fevereiro de 2025. Diante disso, o BC impôs restrições à aquisição de novos ativos financeiros e determinou a apresentação de um plano de solução no prazo de seis meses, contado a partir de outubro do ano passado.

Apesar desse contexto, o BRB afirmou que não recebeu qualquer determinação formal do Banco Central para realizar um aporte imediato de recursos e reforça que segue adotando medidas para enfrentar os efeitos da crise.

Leia a íntegra da nota do BRB:

"O BRB reafirma sua suficiência patrimonial e segue sólido, estável e operando normalmente, sem qualquer risco de intervenção.

As apurações conduzidas pelo Banco Central e pela auditoria independente da Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll, ainda estão em curso e devem ser concluídas nas próximas semanas. Qualquer número não oficial divulgado publicamente é meramente especulativo, não correspondendo à realidade e não possuindo base técnica.

O BRB destaca que o diálogo com o Banco Central e demais órgãos reguladores faz parte da rotina de todas as instituições financeiras legalmente reguladas.

Reforça, ainda, que, caso seja necessário, dispõe de plano para recomposição de capital e destaca que eventuais aportes do acionista controlador não retiram recursos previstos no orçamento para políticas públicas.

O BRB esclarece, também, que estuda mecanismos para iniciar o processo de venda dos ativos recuperados junto ao Banco Master, medida que contribuirá para o fortalecimento adicional da posição financeira do Conglomerado BRB.

O Banco permanece comprometido com a transparência, a governança e o cumprimento de todas as normas que regem o sistema financeiro.

Além disso, o BRB destaca sua relevância estratégica para o desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal, atuando como agente de fomento, ampliando o acesso ao crédito, apoiando empresas locais e impulsionando projetos estruturantes que beneficiam a população do Distrito Federal e as regiões em que atua."

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