O mercado ilegal de cigarros é visto pela ampla maioria dos brasileiros como um grave problema de segurança pública e uma importante fonte de financiamento do crime organizado. Pesquisa nacional do Instituto Locomotiva divulgada nesta quinta-feira (22) aponta que 94% dos brasileiros, o equivalente a nove em cada dez, associam o comércio ilegal de cigarros ao financiamento de facções criminosas.
A percepção se estende aos efeitos sobre a violência. Para 83% da população, as mesmas rotas usadas para o contrabando de cigarros também servem ao tráfico de armas e drogas. Já segundo o Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), o cigarro ilegal responde por 32% do mercado total no Brasil. Apenas em 2024, a evasão fiscal decorrente desse comércio é estimada em R$ 7,2 bilhões, recursos que deixaram de ser arrecadados pelo governo.
O levantamento mostra ainda que 75% dos brasileiros consideram grande o mercado ilegal de cigarros no país, e 74% o classificam como um problema grave. A ilegalidade é percebida no cotidiano: 88% afirmam já ter visto ou tomado conhecimento da venda de cigarros ilegais em suas cidades, seja de produtos contrabandeados ou falsificados. Entre os mercados ilegais citados, os cigarros aparecem em primeiro lugar, à frente de bebidas alcoólicas e cigarros eletrônicos.
A ligação com o crime organizado é praticamente consensual: 94% dos entrevistados acreditam que o mercado ilegal de cigarros financia facções criminosas, como PCC e Comando Vermelho. Desse total, 42% dizem que o cigarro ilegal é uma das principais fontes de recursos dessas organizações, enquanto 52% afirmam que ele é uma fonte relevante, embora não a principal.
Impacto sobre violência
Essa percepção se reflete na avaliação dos impactos sobre a violência. Para 82% dos brasileiros, o comércio ilegal de cigarros fortalece o crime organizado e aumenta a insegurança nas cidades. Segundo o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, a população já compreendeu a dimensão do problema. "O mercado ilegal de cigarros não é umproblema isolado. Ele faz parte da engrenagem do crime organizado e impacta diretamente a segurança das cidades", afirma.
Para o presidente do FNCP, Edson Vismona, os dados reforçam que o enfrentamento do problema precisa ser tratado como prioridade. "O combate ao mercado ilegal de cigarros vai além de uma discussão econômica. É uma agenda estratégica de segurança pública, que exige integração entre fiscalização eficiente e políticas tributárias equilibradas", diz.
Sonegação bilionária
A pesquisa também revela a percepção de que a fiscalização é frágil. Apenas 12% dos brasileiros consideram que o comércio ilegal de cigarros é bem controlado, enquanto a maioria avalia que a fiscalização é insuficiente ou inexistente. Para 83%, o cigarro ilegal é vendido livremente em bares e mercadinhos.
Segundo a pesquisa, 87% dos brasileiros defendem que o governo intensifique o combate ao cigarro ilegal, o mesmo percentual que apoia campanhas de conscientização sobre os riscos desse mercado. Além disso, 84% avaliam que o comércio ilegal de cigarros deve ser punido com mais rigor.
O Instituto Locomotiva ouviu 1.500 pessoas entre 4 e 13 de novembro de 2025. A margem de erro de 2,5 pontos percentuais.