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Lula critica intervenções militares ilegais e aponta paralisia da Celac

No Fórum Econômico Internacional da América Latina,, presidente disse que bloco falha em reagir de forma coordenada a ações ilegais e outros desafios estruturais.

28/1/2026
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as intervenções militares ilegais na América Latina e no Caribe e afirmou que a região não tem sido capaz de reagir de forma coordenada a esse tipo de ação. Segundo ele, a incapacidade de resposta revela a fragilidade das instâncias de integração regional, em especial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que estaria paralisada diante de desafios centrais para o continente.

As declarações foram feitas durante discurso no Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado no Panamá. Para Lula, a Celac não consegue sequer produzir posicionamentos conjuntos contra intervenções militares que afetam países da região, apesar dos esforços do presidente da Colômbia, Gustavo Petro.

O presidente avaliou que a paralisia do bloco é resultado de um esvaziamento político. Segundo ele, reuniões e cúpulas regionais têm se repetido sem gerar resultados concretos.

"Passamos de reunião em reunião, repletas de ideias e iniciativas que nunca saem do papel. Nossas cúpulas se tornaram rituais vazios, dos quais se ausentam os principais líderes regionais. Como resultado, a única organização que engloba a totalidade dos países da América Latina e Caribe, a Celac, está paralisada, apesar dos esforços do nosso querido presidente Petro."

Lula também apontou que a falta de coordenação regional impede respostas eficazes a outros desafios estruturais, como a pandemia da covid-19, o avanço do crime organizado transnacional e o enfrentamento do aquecimento global.

Crise do regionalismo

Na avaliação do presidente, o cenário internacional de ruptura da ordem liberal, aliado ao avanço do protecionismo e do unilateralismo, recoloca em debate os modelos de integração possíveis para a América Latina e o Caribe. Lula afirmou que paradigmas históricos, como o pan-americanismo e o bolivarianismo, já não são suficientes para responder às transformações em curso.

O presidente mencionou ainda a proximidade geográfica da América Latina com a maior potência militar do mundo, os Estados Unidos, como um fator que influencia diretamente as relações regionais, seja pela presença, seja pelo distanciamento.

"A proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é outra referência incescápavel, seja pela sua presença ou pelo seu distanciamento. Sobretudo, num contexto de reducrecimento de tentações hegemônicas."

Falta de liderança regional

Para Lula, a ausência de um projeto mais autônomo de inserção internacional está diretamente relacionada à falta de convicção das lideranças regionais. Segundo ele, a dificuldade de construir um marco político e discursivo próprio enfraquece a capacidade da região de atuar de forma estratégica no cenário global.

"Falta lideranças regionais de convicção sobre os benefícios de adoção de um projeto mais autônomo de inserção internacional. Diante das dificuldades de pactuar um marco retórico próprio, nossos países deveriam concentrar-se na mobilização dos triunfos inexplorados pela região para promover sua inserção competitiva na ordem global."

O presidente usou como exemplo de recursos dos países sul-americanos e caribenhos o potencial energético, as reservas de petróleo e gás, hidroeletricidade, biocombustíveis e energia nuclear e eólica solar. Além disso, destacou os recursos minerais, inclusive minerais críticos e terras raras, o mercado consumidor expressivo, ausência de graves conflitos religiosos ou culturais e a predominância de governos eleitos democraticamente.

"América Latina e o Caribe são únicos. Cabe a nós assumir que a integração possível é a que estará calçada na pluralidade de opções. Guiado pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região. Essa é a única doutrina que nos convém. Seguir divididos nos torna todos mais frágeis."

O presidente defendeu que os países latino-americanos concentrem esforços na mobilização de seus recursos e potencialidades ainda pouco explorados, como forma de promover uma inserção mais competitiva na economia internacional e reduzir a dependência de agendas externas.

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