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Haddad confirma que deixará o Ministério da Fazenda em fevereiro

Ministro diz que data exata de sua saída e definição de seu sucessor na Fazenda dependem do presidente Lula.

29/1/2026
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta quinta-feira (29) que deixará o comando da pasta no mês de fevereiro. Segundo ele, a data exata da saída ainda depende de alinhamento com o presidente Lula, que também será o responsável por anunciar o substituto.

"Eu não posso dar uma data sem combinar com o presidente, mas ele está informado que eu devo sair em fevereiro, com certeza. Agora a mesma coisa vale para quem ficar no meu lugar, é dever do presidente anunciar", afirmou Haddad em entrevista ao portal Metrópoles.

Ele reforçou que a decisão já foi discutida com Lula. "No mês de fevereiro com certeza, [vou] deixar o governo em fevereiro. A mesma coisa vale para quem vai ficar no meu lugar. Isso é papel do presidente anunciar e não eu antecipar uma decisão que ele tomou. A gente conversou já sobre o assunto", disse.

Haddad diz que conversará com Lula sobre a data em que deixará a Fazenda.Pedro Ladeira/Folhapress

Sucessão na Fazenda

Haddad voltou a elogiar o secretário-executivo do ministério, Dario Durigan, frequentemente citado como possível sucessor, mas ressaltou que a escolha cabe exclusivamente ao presidente.

"O Dario é uma pessoa que trabalhou na Casa Civil, trabalhou na prefeitura de São Paulo na minha gestão, e no Ministério da Fazenda. Ele sempre esteve alinhado a governos progressistas e traz (do mercado privado) um conhecimento de setores relevantes da economia mundial."

Em outro momento da entrevista, Haddad reforçou as qualidades técnicas do auxiliar. "Ele [Dario Durigan] tem um conhecimento realmente abrangente. É uma pessoa de formação muito sólida. Agora, a prerrogativa, óbvio, é do presidente e é natural que outras pessoas se coloquem também. Dentro do PT tem muita gente que pode se colocar", afirmou.

Balanço da gestão

Ao fazer um balanço de sua passagem pela Fazenda, Haddad afirmou que assumiu o ministério em um cenário fiscal adverso e destacou medidas adotadas para reequilibrar as contas públicas.

"Herdamos uma situação fiscal muito difícil. Fomos cortando, cortando e chegou um ponto em que conseguimos fechar as contas. Essa redução de 70% do déficit se deve muito ao corte de gasto tributário e à limitação do crescimento da despesa."

O ministro voltou a responsabilizar o governo anterior pelo quadro encontrado. "E quem teve que consertar foi o presidente Lula e a sua equipe econômica", concluiu.

Haddad também citou a aprovação da reforma tributária em 2023 como um marco da gestão e comemorou indicadores recentes da economia, como a menor inflação acumulada em quatro anos desde o Plano Real, a menor taxa de desemprego da história e a Bolsa de Valores acima dos 180 mil pontos.

Juros e dívida

O ministro minimizou críticas ao crescimento da dívida pública federal, que encerrou 2025 em R$ 8,635 trilhões, após alta de 1,82% em dezembro. Para Haddad, a redução da taxa básica de juros é fundamental para estabilizar o endividamento.

Na quarta-feira (28), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a possibilidade de corte na próxima reunião. "A taxa de juros, que vai começar a cair, está em um patamar incompatível com a estabilidade da dívida", afirmou.

Apesar das especulações sobre seu futuro político, Haddad tem reiterado que não pretende disputar eleições e que pretende contribuir para a campanha de reeleição do presidente Lula. Nos bastidores do PT e do governo, no entanto, seu nome segue citado como possível candidato em São Paulo, seja ao governo estadual ou ao Senado. Ele também é cotado para coordenar a campanha à reeleição do presidente Lula.

Como mostrou o Congresso em Foco, ao menos 20 ministros de Lula devem deixar o governo até o início de abril, prazo exigido de saída pela legislação eleitoral para quem deseja se candidatar a algum cargo eletivo em outubro.

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