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PSD filia governador de Rondônia e amplia ofensiva para 2026

Filiação de Marcos Rocha reforça estratégia de Kassab para ampliar o peso do PSD na disputa presidencial. Governador, que era do União Brasil, pode se lançar ao Senado.

1/2/2026
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O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, filiou na sexta-feira (30) o governador de Rondônia, Marcos Rocha, ampliando a ofensiva do partido para se consolidar como um dos principais polos de poder no país às vésperas das eleições de 2026. A adesão marca a segunda migração de um governador do União Brasil para o PSD em menos de uma semana.

A filiação ocorre dias após Kassab anunciar a entrada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também ex-União Brasil. O movimento integra uma articulação mais ampla que envolve ainda os governadores Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), com o objetivo de construir uma candidatura única à Presidência da República no campo da direita, definida com base em pesquisas previstas para abril.

A iniciativa abriu uma fissura no bloco conservador ao isolar o projeto ligado à família Bolsonaro, hoje representado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Marcos Rocha assinou ficha de filiação ao PSD na última sexta-feira.Reprodução/X

Aliado de Bolsonaro e possível candidato ao Senado

Conhecido como coronel Marcos Rocha, o governador de Rondônia tem histórico de alinhamento com Jair Bolsonaro. Ex-integrante da Polícia Militar, foi reeleito em 2022 com apoio do então presidente e já criticou publicamente a prisão de Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos por liderar a trama golpista após a derrota para Lula.

Com a filiação ao PSD, Rocha passa a ser cotado como candidato ao Senado em 2026, o que pode ampliar a bancada do partido na Casa. No entanto, o governador ainda avalia se disputará a vaga.

Crise com o vice pesa na decisão

A indefinição está ligada, em parte, ao rompimento político entre Rocha e o vice-governador Sérgio Gonçalves (União). A relação se deteriorou em junho do ano passado, quando o governador ficou retido em Israel por quase uma semana em razão da guerra na região.

Durante a ausência de Rocha, Gonçalves acionou a Justiça para tentar suspender uma lei estadual que permitia ao governador continuar exercendo o cargo fora do estado. O episódio levou ao rompimento. "É muito difícil entregar o governo nas mãos de alguém que me trai", afirmou Rocha à época, embora não descarte rever a decisão.

PSD amplia domínio nos estados

No plano nacional, a filiação do governador de Rondônia reforça a liderança do PSD entre os Executivos estaduais. Com a adesão, o partido passa a governar seis dos 27 estados brasileiros, consolidando-se como a sigla com maior número de governadores no país.

A ofensiva comandada por Kassab é considerada a principal movimentação do xadrez político neste início de 2026. Até então, a grande dúvida no campo da direita era a consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro ou a eventual entrada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na disputa presidencial.

Kassab como fiador do projeto

Ratinho Junior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado já manifestaram interesse em disputar o Palácio do Planalto, mas acertaram que apenas um deles representará o grupo. A escolha será baseada em pesquisas, e, se a decisão fosse tomada hoje, o governador do Paraná despontaria como favorito.

Kassab avalia que um nome do PSD pode atingir patamar semelhante aos cerca de 20% atribuídos a Flávio Bolsonaro em levantamentos recentes. Em um eventual segundo turno contra Lula, a estratégia seria atrair eleitores de direita e também do centro, que rejeitam tanto o petismo quanto o bolsonarismo mais radical.

Aliados reconhecem, contudo, que o cenário segue aberto. Caso a candidatura própria não se viabilize, Kassab se apresenta como um "kingmaker", capaz de influenciar decisivamente os rumos da eleição presidencial.

A movimentação ampliou as críticas do grupo de Bolsonaro ao presidente do PSD. Aliados do ex-presidente passaram a sugerir que Kassab poderia apoiar Lula ainda no primeiro turno. Também houve desgaste na relação com Tarcísio de Freitas, após Kassab afirmar que a visita do governador paulista a Bolsonaro na prisão demonstrava caráter, mas não deveria transmitir submissão.

Tarcísio rebateu publicamente a avaliação, alimentando especulações sobre o futuro da aliança entre ambos.

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