A eleição para governador na região Norte em 2026 será marcada por renovação quase total do poder. Dos sete governadores atuais, seis não poderão disputar a reeleição, abrindo espaço para sucessões obrigatórias e disputas fragmentadas em praticamente todos os Estados. Pesquisas recentes e movimentações partidárias indicam vantagem de nomes ligados à direita e ao centro-direita, enquanto a esquerda segue sem protagonismo regional.
Nas eleições de 2022, o Norte teve um mapa partidário pulverizado: PP e União Brasil elegeram dois governadores cada; Solidariedade, MDB e Republicanos, um. O PT não venceu em nenhuma unidade da região, cenário que pode se repetir em 2026, diante da ausência de nomes competitivos ligados à esquerda. A renovação tende a ser ampla: dos sete governadores atuais, seis estão impedidos de disputar a reeleição por já estarem no segundo mandato.
Veja como está a disputa em cada Estado da região Norte:
Acre: sucessão aberta
No Acre, a disputa ocorre em um cenário de sucessão obrigatória. Reeleito em 2022, o governador Gladson Cameli (PP) não pode concorrer novamente e deve disputar o Senado, cargo que ocupou entre 2015 e 2018.
O senador Alan Rick (Republicanos) lidera os levantamentos mais recentes do Real Time Big Data e aparece como principal nome da oposição. No campo governista, a vice-governadora Mailza Assis (PP) surge como pré-candidata natural, mas enfrenta resistências internas e a concorrência de fora do arranjo oficial, como o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), que articula candidatura própria.
O cenário ainda inclui nomes do PSB e do Psol, mas a disputa tende a se concentrar entre Republicanos, PP e PL.
Veja a situação nos Estados da região Norte:
Amapá: reeleição em jogo
No Amapá, o governador Clécio Luís trocou este ano o Solidariedade, partido pelo qual se elegeu em 2022, pelo União Brasil, movimento que marca sua tentativa de reeleição. A filiação contou com o apoio direto do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), padrinho político do governador.
Clécio enfrenta o prefeito de Macapá, Dr. Furlan (MDB), bem posicionado nas pesquisas do Real Time Big Data. O ex-senador João Capiberibe (PSB) aparece como nome cotado, mas ainda sem definição clara de candidatura.
O cenário aponta para um embate entre o campo governista e forças tradicionais da política local, com potencial de polarização.
Amazonas: múltiplas articulações
O Amazonas também vive um cenário de sucessão aberta. O governador Wilson Lima (União Brasil) não pode disputar novo mandato e é cotado para concorrer ao Senado. Até agora, não indicou um nome para a sucessão, o que contribui para a fragmentação da disputa.
O senador Omar Aziz (PSD), ex-governador por dois mandatos, aparece como um dos principais nomes em articulação e lidera os levantamentos mais recentes. No campo bolsonarista, a empresária Maria do Carmo Seffair (PL) se movimenta. O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), e o vice-governador Tadeu de Souza (PP) figuram como alternativas ligadas ao atual governo estadual.
A pulverização de candidaturas indica uma disputa imprevisível, com forte peso das alianças nacionais.
Pará: empate técnico e disputa aberta
No Pará, o governador Helder Barbalho (MDB) deixará o cargo para disputar o Senado, abrindo uma das sucessões mais disputadas da região. Pesquisas do Real Time Big Data apontam empate técnico entre a vice-governadora Hana Ghassan (MDB) e o prefeito de Ananindeua, Dr. Daniel Santos (PSB).
Dr. Daniel deve trocar o PSB pelo Republicanos nos próximos dias e confirmar a indicação do ex-senador Mário Couto (PL) como seu vice. Mário Couto era pré-candidato ao governo. O partido, no entanto, decidiu abrir mão da cabeça de chapa para apoiar um candidato considerado mais competitivo para derrotar o grupo político da família Barbalho. O acordo prevê a indicação do deputado Delegado Eder Mauro (PL-PA) como candidato ao Senado pela mesma chapa.
O MDB no Pará cederá palanque para o presidente Lula na campanha presidencial. Os petistas devem apoiar a candidatura de Hana.
O ex-governador Simão Jatene, que foi do PSDB mas hoje está sem partido, também tem o nome cogitado para a disputa. A esquerda tenta espaço com Araceli Lemos (Psol) e Cleber Rabelo (PSTU), mas o protagonismo da disputa está concentrado entre MDB e forças da direita.
Rondônia: aliados em conflito
Rondônia apresenta um dos cenários mais favoráveis à direita. O governador Marcos Rocha, que trocou recentemente o União Brasil pelo PSD, já declarou que não disputará o Senado. Caso opte pela candidatura, terá de renunciar ao cargo até o início de abril.
O impasse se agrava pelo rompimento com o vice-governador Sérgio Gonçalves (União Brasil), que tenta viabilizar sua própria candidatura. Rocha admite abrir mão da disputa ao Senado para evitar passar o comando do Estado ao ex-aliado, avaliando que o controle da máquina administrativa daria vantagem eleitoral ao vice.
"Tomei a decisão de não ser candidato ao Senado, apesar de liderar as pesquisas. Vou permanecer no governo e trabalhar para entregar o projeto final, honrando meu compromisso. A situação do vice apenas me fortaleceu nesta decisão", afirmou o governador.
Rocha decidiu apoiar o prefeito de Cacoal, Adailton Fúria (PSD), que lidera, em empate técnico, com o senador Marcos Rogério (PL). Jair Bolsonaro, no entanto, resiste à candidatura de Marcos Rogério ao governo e defende sua reeleição ao Senado. PSDB, Podemos e PT também apresentam pré-candidatos, mas com menor densidade eleitoral. O ex-governador Ivo Cassol (PP) é outro nome cogitado, mas enfrenta impedimentos impostos pela Lei da Ficha Limpa. Quem também pretende concorrer é o deputado estadual Delegado Rodrigo Camargo (Republicanos).
Roraima: triplo empate técnico
Em Roraima, o governador Antonio Denarium (PP) deve concorrer ao Senado, abrindo uma disputa altamente equilibrada. Pesquisas indicam empate técnico entre Arthur Henrique (PL), prefeito de Boa Vista; Edilson Damião (Republicanos), vice-governador e secretário de Infraestrutura; e Teresa Surita (MDB), ex-prefeita da capital.
O cenário aponta para uma eleição competitiva, com protagonismo de nomes ligados à direita e ao centro.
Tocantins: uma mulher na liderança; governador e vice rompidos
Em Tocantins, a senadora Professora Dorinha (União Brasil) lidera os levantamentos do Real Time Big Data e aparece como favorita. O governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) tem dito a aliados que não disputará o Senado. Sua imagem sofreu desgaste após ele ter sido afastado do cargo pelo STJ em setembro de 2025, no âmbito de investigação sobre desvio de recursos na compra de cestas básicas durante a pandemia. O governador reassumiu o cargo em dezembro, após decisão liminar do ministro Nunes Marques, do STF.
A decisão de não concorrer também envolve outro cálculo político: Wanderlei rompeu com o vice-governador Laurez Moreira (PSD), pré-candidato ao governo e, por isso, não quer renunciar e transmitir o cargo ao ex-aliado. Para concorrer ao Senado ou à Câmara, o governador teria de ceder a cadeira ao vice até o início de abril. O rompimento se aprofundou durante o período em que Laurez comandou o Estado interinamente. Recentemente, o governador desalojou o vice do Palácio do Araguaia, sede do Executivo, para um prédio comercial.
O nome apoiado pelo governador é o do deputado estadual Amélio Cayres (Republicanos), presidente da Assembleia Legislativa. Diante da candidatura de Dorinha, do União Brasil, o deputado federal Vicentinho Jr. decidiu trocar o PP pelo PSDB para disputar o Executivo. Como formam uma federação, PP e União só podem ter um nome na disputa ao governo. Nesse caso, Vicentinho seria preterido por Dorinha.