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ELEIÇÕES 2026
Congresso em Foco
4/3/2026 | Atualizado às 7:43
A sucessão estadual de 2026 começa com um dado que, por si só, já altera o tabuleiro político: apenas nove dos 27 governadores podem disputar reeleição. A renovação elevada, combinada às pesquisas mais recentes nos Estados, indica uma largada mais fragmentada e competitiva do que a registrada após as eleições de 2022, e com sinais de avanço territorial da direita e da centro-direita.
Levantamento do Congresso em Foco, com base em pesquisas recentes dos institutos Paraná Pesquisas e Real Time Big Data, que fazem sondagem em todo o país, mostra que PL e PSD lideram ou aparecem em empate técnico em seis Estados cada, seguidos por MDB, Republicanos e União Brasil, com presença competitiva em cinco unidades da federação. O PT está à frente ou empata em três Estados; PSB e PP, em dois; PDT e PSDB, em um cada. A margem de erro das pesquisas é de três pontos percentuais.
Empates técnicos permitem que um mesmo Estado conte para mais de um partido, mas, ainda assim, o mapa revela maior capilaridade conservadora na largada. Em 2022, PT e União Brasil foram as siglas que mais elegeram governadores (quatro cada). O cenário atual sugere redistribuição de força, ainda não de resultado, mas de competitividade.
Renovação e instabilidade administrativa
Com apenas nove governadores aptos à reeleição, 2026 tende a registrar alto índice de renovação. Entre os que podem disputar novo mandato, dois começam o ano em situação delicada: Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia, e Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco, aparecem na segunda colocação nas pesquisas. Os demais lideram ou estão tecnicamente empatados.
Ao mesmo tempo, 14 vice-governadores se movimentam para disputar o cargo máximo. Pelo menos 11 devem assumir o comando da máquina administrativa até abril, quando titulares que pretendem concorrer a outros cargos precisam renunciar. A troca de comando em plena pré-campanha tende a influenciar a correlação de forças local.
Rompidos com os seus vices, os governadores Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO), Marcos Rocha (PSD-RO) e Carlos Brandão (sem partido-MA) já indicaram que não vão concorrer a qualquer mandato este ano para não ceder o cargo que ocupam aos seus "inimigos íntimos", que postulam a sucessão estadual.
O comando da máquina administrativa tem peso decisivo em uma disputa eleitoral. Em 2022, 18 dos 20 candidatos à reeleição conseguiram renovar o mandato por mais quatro anos.
Nordeste: o teste decisivo para o PT
Principal reduto eleitoral de Lula desde 2002, o Nordeste concentra hoje o maior desafio estratégico para o PT.
A legenda governa quatro Estados na região, mas lidera com folga apenas no Piauí, com Rafael Fonteles. Na Bahia, ACM Neto (União Brasil) aparece à frente do governador Jerônimo Rodrigues (PT). No Ceará, Elmano de Freitas (PT) e Ciro Gomes (PSDB) estão tecnicamente empatados. Em Alagoas, JHC (PL) lidera. Em Pernambuco, o favoritismo é de João Campos (PSB) — aliado de Lula, mas fora do PT.
O cenário não representa perda consolidada, mas indica algo politicamente relevante: o Nordeste deixou de ser território confortável para o PT. Se o partido encolher na região, o impacto será duplo, na montagem de palanques presidenciais e na disputa pelo Senado, onde cada Estado elegerá dois nomes.
Sudeste: São Paulo e MG indefinidos
No Sudeste, as eleições estaduais dialogam diretamente com o Planalto.
Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera com vantagem e tende à reeleição, mas permanece no radar presidencial da direita. O presidente Lula tenta convencer o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), a entrar como nome competitivo da esquerda no Estado. Haddad já foi mais resistente à ideia, o resultado final das conversas, no entanto, ainda não foi definido.
Em Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos) aparece na frente, enquanto Rodrigo Pacheco (PSD) é pressionado pelo presidente Lula a entrar na corrida eleitoral. Cleitinho e Pacheco, no entanto, ainda não decidiram seu futuro político. O Estado tende a se tornar um dos principais campos de disputa entre projetos presidenciais.
No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) lidera, mas o Estado pode passar por turbulência institucional caso o governador Cláudio Castro (PL) renuncie para disputar o Senado. Se isso ocorrer, o Estado terá de eleger nos próximos meses, via Assembleia Legislativa, um governador temporário. No Espírito Santo, há empate técnico triplo entre Republicanos, MDB e PSD, reforçando o cenário aberto.
Sul: direita numerosa, mas fragmentada
No Paraná, Sérgio Moro (União Brasil) lidera, mas depende da acomodação com o PP na federação União Progressistas. O diretório estadual do PP resiste em apoiá-lo e tenta emplacar candidatura própria. Como compõem uma federação, os dois partidos só podem ter um candidato. A indefinição partidária pode reconfigurar a disputa, inclusive com uma eventual mudança partidária de Moro.
No Rio Grande do Sul, há empate técnico triplo entre PL, PT e PDT, único Estado com três campos ideológicos distintos na dianteira.
Em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello (PL) lidera, mas enfrenta risco de dispersão interna no próprio campo conservador por causa da entrada de Carlos Bolsonaro na disputa ao Senado.
A direita larga forte no Sul, mas ainda busca unificação.
Norte: renovação quase total
Seis dos sete governadores da região não podem disputar novo mandato. O Amapá é o único caso com governador apto à reeleição.
Rondônia e Roraima registram empates técnicos envolvendo PL, Republicanos, MDB e PSD, evidenciando disputa pulverizada.
A sucessão no Norte tende a ser marcada por trocas de grupo político e alianças cruzadas.
Centro-Oeste: vices e Senado no radar
No Distrito Federal, Celina Leão (PP) lidera. Em Goiás, Daniel Vilela (MDB) aparece na frente. Os dois são vice-governadores de Ibaneis Rocha (MDB) e Ronaldo Caiado (PSD), respectivamente.
Em Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) é favorito à reeleição. Em Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes (PL) inicia o ano na ponta.
O peso estratégico do Senado
A eleição estadual de 2026 terá impacto ampliado porque cada Estado elegerá dois senadores. Governadores influenciam diretamente a formação das chapas majoritárias e a construção dos palanques presidenciais. Uma mesma chapa pode reunir, localmente, candidatos de partidos que se enfrentam no plano nacional.
A eleição para o Senado é considerada estratégia e prioritária pelo governo Lula e pela oposição. Quem ampliar presença nos Estados terá maior capacidade de influenciar a futura composição da Casa responsável por aprovar ministros do STF, chefes de agências reguladoras e o procurador-geral da República, além de julgar processos de impeachment.
O que a largada revela
A comparação entre 2022 e o início de 2026 aponta:
Ainda é cedo para prognósticos definitivos. Convenções, alianças e eventuais federações podem alterar o cenário.
Mas a largada mostra algo claro: a disputa estadual está aberta, mais fragmentada e com potencial de redesenhar o equilíbrio político nacional, influenciando não apenas os governos regionais, mas também o Senado e a corrida presidencial. 2026 começa nos Estados. E o mapa inicial sugere que ninguém entra em campo com o jogo ganho.
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