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ELEIÇÕES 2026
Congresso em Foco
4/3/2026 | Atualizado às 7:50
Impulsionado pelo agronegócio e por uma base eleitoral historicamente alinhada à direita, o Centro-Oeste inicia o ciclo eleitoral de 2026 com indícios de manutenção do perfil conservador nas quatro unidades federativas da região. As pesquisas mais recentes indicam favoritismo de nomes situados no campo oposicionista ao presidente Lula, inclusive entre nomes de partidos que, em Brasília, integram a base do governo federal.
O quadro regional combina sucessões abertas, protagonismo de vice-governadores e governadores mirando o Senado ou o Planalto. Se as tendências se confirmarem, Lula deverá enfrentar um palanque majoritariamente adversário no coração do país.
Veja como está a disputa no DF e nos demais Estados do Centro-Oeste:
Distrito Federal: vice lidera e MDB prioriza Senado
No Distrito Federal, a vice-governadora Celina Leão (PP) lidera a disputa pelo Palácio do Buriti, segundo pesquisa do Real Time Big Data divulgada em 9 de dezembro de 2025. Ela é a principal herdeira política de Ibaneis Rocha (MDB), que já anunciou pré-candidatura ao Senado.
Apesar de comandar o governo local, o MDB não deve lançar candidato próprio ao Executivo, sinalizando estratégia pragmática de concentrar forças na disputa ao Senado.
A corrida inclui ainda nomes de diferentes espectros ideológicos, como José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB) e Paula Belmonte (PSDB). O cenário segue aberto, mas Celina começa com favoritismo. Com a saída de Ibaneis até abril, para disputar o Senado, a vice assumirá o governo em pleno período pré-eleitoral.
No caso de Arruda, há indefinição quanto à sua elegibilidade devido aos efeitos da Lei da Ficha Limpa. O senador Izalci Lucas (PL), que se apresentava como pré-candidato, declarou apoio a Arruda e se movimenta para ocupar a vaga de vice na chapa. Mas a movimentação enfrenta resistência interna. O comando do PL decidiu abrir mão da candidatura própria ao governo para lançar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis como candidatas ao Senado. As duas pretendem apoiar Celina Leão.
Goiás: transição organizada e dilema de Caiado
Em Goiás, o vice-governador Daniel Vilela (MDB) lidera as pesquisas, segundo levantamento do Paraná Pesquisas de 8 de dezembro de 2025, e aparece como principal nome à sucessão de Ronaldo Caiado (PSD).
Caiado vive um impasse estratégico. Pré-candidato à Presidência, precisará deixar o cargo até abril se mantiver o projeto nacional. Caso contrário, aliados admitem que pode disputar o Senado. Paralelamente, trabalha para viabilizar a candidatura da primeira-dama, Gracinha Caiado, ao Senado.
A disputa inclui ainda o senador Wilder Morais (PL), o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e nomes do PT em definição interna. Mesmo assim, Vilela surge como beneficiário natural da transição.
Embora o MDB integre a base do governo federal, Vilela já classificou a gestão Lula como "ultrapassada" e não sinalizou apoio à reeleição do presidente.
Mato Grosso: Senado reorganiza o jogo
Em Mato Grosso, o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) é pré-candidato, mas aparece atrás nas primeiras pesquisas. Levantamento do Paraná Pesquisas, divulgado em 18 de dezembro de 2025, coloca o senador Wellington Fagundes (PL) na liderança.
O governador Mauro Mendes (União Brasil) deve disputar o Senado. Também estão na disputa ao governo o senador Jayme Campos (União Brasil) e a médica Natasha Slhessarenko (PSD). Embora presida o União Brasil em Mato Grosso, Mendes já declarou apoio a Pivetta, o que eleva a tensão na disputa. Jayme Campos ameaça recorrer à Executiva Nacional do partido para concorrer, mesmo que não tenha apoio do presidente regional de sua legenda.
Mato Grosso do Sul: exceção com continuidade
Mato Grosso do Sul é o único Estado da região com governador em primeiro mandato, apto, portanto, à reeleição. Eduardo Riedel (PP) lidera as pesquisas do Real Time Big Data divulgadas em 1º de dezembro de 2025 e desponta como favorito.
Riedel está formando uma grande coalizão que envolve, além do PP, o PL, o União Brasil, o Republicanos, o PSDB, o MDB e o PSD.
Ele enfrenta adversários da esquerda, como Fábio Trad (PT) e Lucien Rezende (Psol). Diferentemente dos demais Estados, o cenário sul-mato-grossense sugere menor turbulência sucessória.
A força da máquina e o efeito abril
No DF, em Goiás e em Mato Grosso, os vice-governadores deverão assumir o comando até abril, prazo final para desincompatibilização dos titulares que disputarão outros cargos. Já o governador Riedel poderá disputar a reeleição no exercício do mandato. Isso significa controle da agenda, nomeações, orçamento e articulação com prefeitos em pleno ano eleitoral.
Com forte peso do agronegócio no PIB regional, eleitorado majoritariamente conservador e crescimento demográfico acelerado nas últimas décadas, o Centro-Oeste tornou-se peça-chave nas disputas presidenciais recentes.
Se o cenário atual se mantiver, Lula deve enfrentar palanques majoritariamente adversários nas quatro unidades federativas da região, que deu grande votação a Jair Bolsonaro em 2018 e 2022.
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