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ELEIÇÕES
Congresso em Foco
6/1/2026 | Atualizado às 13:41
À medida que as eleições de 2026 se aproximam, os governadores começam a desenhar seus próximos movimentos políticos. O quadro que se forma aponta para um padrão já conhecido na política brasileira, mas que desta vez ganha escala inédita: a corrida ao Senado tende a ser o principal destino dos chefes de Executivo estadual impedidos de disputar a reeleição.
Dos 27 governadores, apenas nove poderão tentar um novo mandato. Os outros 18 estão no segundo mandato e, por força constitucional, não podem permanecer no cargo. Em um ano marcado pela ampla renovação do Congresso, o Senado aparece como a alternativa mais viável para quem deseja continuar na vida pública com projeção nacional e influência institucional. Em 2026, estarão em jogo 54 das 81 cadeiras da Casa, o equivalente a dois terços do Plenário.
O calendário eleitoral também impõe urgência às decisões. Governadores que pretendem disputar outro cargo precisam renunciar até abril de 2026, seis meses antes do pleito. Isso acelera articulações partidárias, negociações por alianças e a definição de sucessores nos estados, antecipando o clima de campanha já no primeiro semestre.
Senado vira o caminho natural para governadores em fim de ciclo
Entre os governadores que já sinalizam ou são apontados como candidatos ao Senado estão nomes de diferentes regiões e espectros políticos. No Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) confirmou que deixará o governo para disputar uma vaga. No Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) articula sua candidatura com a cúpula do partido e aparece bem posicionado em levantamentos internos, impulsionado pelo discurso de segurança pública. Em Roraima, Antonio Denarium (PP) já anunciou publicamente a pré-candidatura, abrindo caminho para que seu vice dispute o governo estadual.
No Pará, Helder Barbalho (MDB) desponta como favorito para uma vaga no Senado, embora ainda evite anúncio formal. O mesmo movimento é atribuído a governadores como Renato Casagrande (PSB-ES), Carlos Brandão (PSB-MA), João Azevêdo (PSB-PB), Fátima Bezerra (PT-RN), Mauro Mendes (União-MT) e Gladson Cameli (PP-AC).
A estratégia segue um roteiro recorrente: o Senado oferece mandato longo, visibilidade nacional e menor exposição às disputas locais mais fragmentadas, além de funcionar como plataforma para futuros projetos políticos.
Reeleição é exceção e se concentra no Nordeste
Apenas nove governadores poderão disputar a reeleição em 2026. O Nordeste concentra a maior parte dessas tentativas, com cinco chefes de Executivo buscando um segundo mandato: Elmano de Freitas (PT-CE), Jerônimo Rodrigues (PT-BA), Rafael Fonteles (PT-PI), Raquel Lyra (PSD-PE) e Fábio Mitidieri (PSD-SE).
Fora da região, aparecem Clécio Luís (Solidariedade-AP) — o único governador do Norte apto à reeleição —, além de Eduardo Riedel (PP-MS), Jorginho Mello (PL-SC) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). No caso paulista, porém, o cenário segue indefinido: aliados admitem tanto a tentativa de recondução ao Palácio dos Bandeirantes quanto uma eventual candidatura presidencial, a depender do desenho nacional da direita.
Mesmo entre os que podem disputar novo mandato, há incertezas. Em estados como Piauí e Pernambuco, por exemplo, a formação das chapas majoritárias ainda depende de rearranjos internos e definição de vices, o que pode alterar o desenho final da disputa.
Presidência atrai poucos, mas influencia o jogo
Um grupo reduzido de governadores tenta se viabilizar como alternativa ao Palácio do Planalto. Ronaldo Caiado (União-GO), Ratinho Junior (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG) e Eduardo Leite (PSD-RS) manifestaram interesse em disputar a Presidência da República, mirando sobretudo o eleitorado de centro-direita e direita.
Aliados, no entanto, admitem que o excesso de pré-candidaturas e a força de lideranças nacionais podem levar a recuos estratégicos. Nesse cenário, parte desses governadores pode acabar compondo chapas como vice ou redirecionando seus planos para o Senado, considerado um caminho menos arriscado e politicamente rentável.
Em 18 estados, a troca no comando do Executivo será inevitável em 2027. O Norte desponta como a região com maior renovação: em seis dos sete estados, novos governadores serão eleitos. A exceção é o Amapá, onde Clécio Luís pode tentar a reeleição.
Em Alagoas e Rondônia, os governadores Paulo Dantas (MDB) e Marcos Rocha (União) indicam que não pretendem disputar nenhum cargo eletivo em 2026, o que abre espaço para disputas internas e rearranjos partidários locais.
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