Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigos
  1. Home >
  2. Notícias >
  3. Brigas com vices levam governadores a desistir do Senado em 2026

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News

ELEIÇÕES 2026

Brigas com vices levam governadores a desistir do Senado em 2026

Rompimentos políticos entre governadores e seus vices alteram o cálculo eleitoral para 2026. Para evitar fortalecer rivais internos, três chefes do Executivo abrem mão de disputar o Senado.

Congresso em Foco

5/2/2026 | Atualizado às 12:30

A-A+
COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA

O cálculo eleitoral de governadores em fim de mandato para 2026 ganhou um elemento decisivo: a relação com seus vices. Em ao menos três estados — Rondônia, Tocantins e Maranhão — conflitos abertos entre titulares e vice-governadores levaram os chefes do Executivo a descartar, ao menos por ora, a disputa pelo Senado para não entregar o comando do governo a adversários políticos diretos no momento mais sensível do calendário eleitoral.

Pela legislação eleitoral, governadores que desejam concorrer a outro cargo em outubro de 2026 precisam renunciar até 6 de abril daquele ano, seis meses antes do pleito. A saída antecipada transfere automaticamente o poder ao vice, que passa a comandar a máquina administrativa no período mais estratégico da corrida eleitoral.

Wanderlei Barbosa desalojou o vice Laurez Moreira do Palácio e o transferiu para um prédio comercial.

Wanderlei Barbosa desalojou o vice Laurez Moreira do Palácio e o transferiu para um prédio comercial.Governo do Tocantins | Arte Congresso em Foco

Em estados onde a relação é harmoniosa, a transição é tratada como parte natural do processo político. Em outros, porém, o risco de fortalecer um rival direto tem pesado mais do que a perspectiva de uma vaga no Senado. Em pelo menos dez unidades da federação, vice-governadores são hoje os principais nomes da sucessão, com o aval explícito dos titulares. É o caso, entre outros, do Rio Grande do Sul, do Distrito Federal, do Pará e da Paraíba.

Leia Mais

Senado, presidência e reeleição: o destino dos 27 governadores em 2026

Rondônia: ruptura e medo de "entregar o governo ao inimigo"

O caso de Rondônia ilustra o oposto desse cenário. O governador Marcos Rocha, que trocou o União Brasil pelo PSD na semana passada, rompeu de forma definitiva com o vice Sérgio Gonçalves (União) após uma sequência de conflitos iniciados em 2025.

Rocha acusou o vice de articular nos bastidores contra seu mandato durante uma viagem internacional, quando ficou mais de 20 dias fora do país, retido em Israel em razão da guerra com o Hamas. O episódio marcou a ruptura definitiva da relação. Vieram, na sequência, retaliações administrativas, como a exoneração de Gonçalves da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, disputas judiciais sobre prerrogativas do cargo e ataques públicos.

O governador chegou a chamar o vice de "traidor" e foi explícito ao justificar sua decisão de não disputar o Senado, mesmo liderando pesquisas no estado. A avaliação de Rocha é que entregar o comando do Palácio Rio Madeira ao ex-aliado daria a ele uma vantagem política decisiva para a eleição ao governo.

Diante disso, o governador optou por permanecer no cargo até o fim do mandato e passou a articular a sucessão em torno de outro nome, abrindo mão de uma vaga considerada praticamente garantida no Senado.

Tocantins: retaliações e disputa pela máquina

No Tocantins, o conflito entre o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e o vice Laurez Moreira (PSD) ganhou contornos ainda mais agudos após o afastamento temporário do chefe do Executivo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito da Operação Fames-19, que investiga desvios na compra de cestas básicas durante a pandemia. Wanderlei ficou fora do cargo entre setembro e dezembro de 2025.

Durante os meses em que comandou o estado interinamente, Laurez promoveu exonerações em massa no primeiro escalão e passou a imprimir uma marca própria de gestão. Com o retorno de Wanderlei ao cargo, a relação se deteriorou de vez.

O governador passou a rever atos da gestão interina e adotou medidas vistas como retaliação política: corte do cartão corporativo do vice, retirada de seu gabinete do Palácio Araguaia e criação de uma comissão para revisar decretos e contratos assinados no período em que Laurez esteve no comando. O vice foi desalojado da sede do governo e transferido para um prédio comercial.

"Quem tem que estar dentro do Palácio é o governador", disse Wanderlei. Alegando ter sido surpreendido com a mudança, Laurez respondeu que o Tocantins "vive à mercê de vaidades que ultrapassam os limites do rigor institucional".

Nesse contexto, embora Wanderlei seja cotado para disputar o Senado, a avaliação no Palácio é que uma renúncia até abril de 2026 significaria devolver o controle do estado a um adversário direto, que também pretende disputar o governo. O rompimento tornou a transição politicamente inviável.

Maranhão: sucessão travada para não fortalecer o vice

No Maranhão, a disputa entre o governador Carlos Brandão (sem partido) e o vice Felipe Camarão (PT) também levou o titular a descartar a candidatura ao Senado e anunciar que permanecerá no cargo até o fim do mandato.

O conflito tem raízes em acordos políticos firmados em 2022, quando Brandão se comprometeu a deixar o governo em 2026 para que Camarão assumisse e disputasse a reeleição. O arranjo contava com o aval do PT, do ex-governador e hoje ministro do STF Flávio Dino e do presidente Lula.

Três anos depois, Brandão mudou de estratégia. Decidiu lançar o sobrinho, Orleans Brandão, secretário de Assuntos Municipalistas, como candidato à sucessão e passou a resistir à ideia de renunciar. O vice acusa o governador de descumprir acordos; Brandão afirma que permanecerá no cargo para "salvar o grupo" e evitar a fragmentação da base.

Ao não renunciar até abril, Brandão impede que Camarão ganhe visibilidade e controle da máquina estadual no ano eleitoral, o que enfraquece o projeto do PT no estado e levou o presidente Lula a tentar mediar um acordo entre as alas.

Brandão foi vice de Dino em seus dois mandatos como governador e chegou à titularidade com o apoio do atual ministro do STF. Eles, no entanto, romperam politicamente em 2024, após 14 anos de aliança.

O peso da caneta

Nos três estados, o cálculo político é o mesmo: a renúncia até 6 de abril de 2026 não é apenas um ato formal, mas uma transferência efetiva de poder no momento mais decisivo da disputa eleitoral.

Controlar orçamento, agenda institucional, nomeações e visibilidade pública no ano da eleição pode ser determinante para o resultado das urnas. Para governadores em conflito aberto com seus vices, entregar o cargo significa fortalecer um adversário direto. O comando da máquina administrativa costuma render dividendos eleitorais.

Em 2022, 18 dos 20 governadores que concorreram à reeleição conseguiram renovar o mandato. As exceções foram São Paulo e Santa Catarina, onde Rodrigo Garcia (PSDB) e Carlos Moisés (Republicanos), respectivamente, sequer chegaram ao segundo turno.

Entre os eleitos, três haviam sido vice-governadores e assumiram o cargo antes de disputar a eleição: Carlos Brandão (MA), Wanderlei Barbosa (TO) e Cláudio Castro (RJ), este último vice de Wilson Witzel.

Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

marcos rocha carlos Brandão Senado Vice-governadora eleições Wander Wilson Chaves governadores Tocantins Rondônia Maranhão

LEIA MAIS

Investigação

Senadores pedem apoio do BC em apuração sobre o Banco Master

SANTA CATARINA

Caroline de Toni deixa o PL após ser preterida na corrida ao Senado

Entrevista

Caso Master deve ser apurado com rapidez no Congresso, defende Vieira

NOTÍCIAS MAIS LIDAS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES