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ELEIÇÕES 2026
Congresso em Foco
4/3/2026 | Atualizado às 7:56
A corrida pelos governos estaduais do Sudeste avança rumo a 2026 marcada por sucessões obrigatórias em três Estados, indefinições centrais em São Paulo e Minas Gerais e forte influência do cenário nacional sobre as articulações locais.
Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro terão troca certa de comando, já que os governadores estão no fim do segundo mandato. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) tende a disputar a reeleição após perder força a hipótese de uma candidatura presidencial, especialmente depois de o ex-presidente Jair Bolsonaro declarar apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o Planalto. O presidente Lula tenta convencer Fernando Haddad a ser o candidato competitivo da oposição.
Em Minas, o senador Cleitinho (Republicanos), que aparece bem posicionado nas pesquisas, ainda resiste a assumir publicamente a candidatura ao Executivo. O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), por sua vez, também não definiu seu destino eleitoral. Aliados do presidente Lula defendem sua candidatura ao governo como forma de fortalecer o palanque no Estado, historicamente decisivo nas disputas presidenciais.
No Sudeste, o desenho das candidaturas ainda está longe de fechado e depende menos da consolidação eleitoral e mais de negociações partidárias, movimentos de cúpula e reposicionamentos de lideranças nacionais.
Veja o cenário Estado por Estado:
Espírito Santo: empate técnico e sucessão indefinida
O governador Renato Casagrande (PSB) encerra seu segundo mandato e se movimenta para disputar o Senado. A sucessão permanece aberta. Pesquisa do Real Time Big Data divulgada em dezembro de 2025 apontou empate técnico entre o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), o prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) e o ex-governador Paulo Hartung (PSD), que avalia retornar à disputa.
Ferraço tenta herdar a coalizão construída por Casagrande ao longo de mais de uma década. Pazolini representa o principal nome da oposição e aposta na força da capital para ampliar presença no interior. Hartung surge como alternativa de centro com alto recall eleitoral, mas ainda sem decisão formal sobre candidatura.
Também aparecem como possíveis candidatos Arnaldinho Borgo (PSDB), prefeito de Vila Velha, e Helder Salomão (PT), deputado federal.
Minas Gerais: sucessão de Zema ganha dimensão nacional
Em Minas Gerais, o governador Romeu Zema (Novo) não pode disputar a reeleição e se apresenta como pré-candidato à Presidência da República. O vice-governador Mateus Simões (PSD) é o nome da continuidade administrativa e já se colocou como pré-candidato, mas enfrenta desafios para ampliar competitividade. Ele deixou o Novo recentemente, de olho na maior capilaridade do novo partido.
Pesquisas recentes indicam o senador Cleitinho em posição de destaque. Com discurso antipolítica e forte presença digital, ele aparece bem colocado em cenários estimulados, embora ainda não tenha oficializado candidatura.
Em fevereiro, Cleitinho anunciou no Senado que seu irmão foi diagnosticado com leucemia e informou que reduziria o ritmo das discussões eleitorais. Ele ainda tem quatro anos de mandato como senador. Na semana passada, o presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), afirmou à Folha de S.Paulo que o parlamentar mineiro disputará o governo.
O PL ainda não definiu quem apoiará. As articulações estão sendo lideradas pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) a pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Deputado mais votado do Estado e um dos políticos mais influentes nas redes sociais, Nikolas recusou a proposta de se candidatar ao governo e já definiu que disputará a reeleição, já que não tem a idade mínima de 35 anos para concorrer ao Senado. O deputado ainda avalia se apoiará Cleitinho ou Mateus Simões.
O cenário pode se alterar com eventual entrada do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Ele é incentivado por aliados do presidente Lula a disputar o governo e avalia alternativas partidárias, como o União Brasil e o MDB. Caso entre na disputa, tende a reorganizar o campo de centro e alterar o equilíbrio entre governismo e oposição. O presidente Lula defende que o PT abra mão de candidatura própria em Minas para apoiar Pacheco.
Também são citados como possíveis candidatos Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte; Gabriel Azevedo (MDB); além de nomes da esquerda como Maria da Consolação (Psol) e Túlio Lopes (PCB). As chances de candidatura própria do PT são consideradas reduzidas, embora circulem os nomes das prefeitas Margarida Salomão (Juiz de Fora) e Marília Campos (Contagem).
São Paulo: favoritismo de Tarcísio convive com ruídos na base
Pré-candidato à reeleição, o governador Tarcísio de Freitas aparece na liderança das principais pesquisas de intenção de voto para o governo de São Paulo. Levantamentos divulgados no fim de 2025 indicam vantagem confortável sobre potenciais adversários, especialmente diante da fragmentação no campo da centro-esquerda. O cenário, contudo, está longe de consolidado.
Durante boa parte do mandato, Tarcísio foi tratado como possível nome da direita para a Presidência da República em 2026. A hipótese perdeu força após o ex-presidente Jair Bolsonaro declarar apoio ao senador Flávio Bolsonaro como seu candidato ao Planalto. A sinalização reduziu o espaço de Tarcísio no debate nacional e reforçou a reeleição em São Paulo como seu caminho mais provável.
Nos últimos meses, a articulação política do governador passou a enfrentar turbulências dentro da própria base. O PSD, comandado nacionalmente por Gilberto Kassab, atual secretário de Governo e Relações Institucionais da gestão Tarcísio, decidiu lançar candidatura própria à Presidência da República, afastando-se da estratégia do PL de apoiar Flávio Bolsonaro.
A decisão esfriou a relação entre Tarcísio e Kassab, que vinha sendo um dos principais pilares de sustentação política do governo paulista. Em declarações públicas, Kassab afirmou que "não se deve confundir lealdade com submissão", frase interpretada nos bastidores como recado indireto ao governador e ao núcleo bolsonarista.
O movimento também tem impacto direto na composição da chapa estadual. O PL pressiona para indicar o presidente da Assembleia Legislativa, André Prado, como vice de Tarcísio. Hoje o cargo é ocupado por Felício Ramuth (PSD). O PSD busca manter espaço na chapa. A disputa pela vice tornou-se símbolo da tensão entre Republicanos, PL e PSD, refletindo o embate nacional entre Bolsonaro e setores do centro-direita que tentam construir alternativa própria.
No campo da oposição, não há candidato consolidado. Circulam como possíveis nomes o ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ministro do Empreendedorismo Márcio França (PSB) e a ministra do Planejamento Simone Tebet (MDB). Nenhum confirmou intenção de disputar o Palácio dos Bandeirantes.
Lula tenta convencer Haddad, que já sinalizou que deixará o Ministério da Fazenda até o fim deste mês, a entrar na disputa ao governo. Nessa composição, Alckmin e Tebet podem sair ao Senado. Enquanto a ministra do Planejamento demonstra disposição de concorrer ao Senado pelo Estado, o vice-presidente indicou a interlocutores que prefere continuar na chapa à reeleição de Lula.
Já o PSDB, após forte perda de protagonismo estadual e nacional, trabalha com a pré-candidatura do ex-prefeito de Santo André Paulo Serra, em tentativa de reconstrução partidária em território que governou por quase três décadas.
A eleição paulista tende a ser fortemente influenciada pelo cenário presidencial. São Paulo concentra o maior eleitorado do país e funciona como vitrine política. Uma eventual divisão entre PL e PSD no plano nacional pode repercutir diretamente na campanha estadual, obrigando Tarcísio a equilibrar sua relação com Bolsonaro e com Kassab.
Rio 2026: Paes lidera e direita busca alternativa
A disputa pelo governo do Rio de Janeiro em 2026 começa com um favorito claro e articulações ainda em curso. O prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), lidera as principais pesquisas e, em alguns cenários, aparece com possibilidade de vitória no primeiro turno. Ele deixará a prefeitura em março para concorrer ao Palácio Guanabara e intensificou agendas no interior e na Região Metropolitana.
Paes construiu ampla aliança, que vai do PT, com apoio declarado de Lula, ao MDB fluminense. A advogada Jane Reis (MDB) será candidata a vice na chapa, em movimento estratégico para fortalecer a presença na Baixada Fluminense. Ela é irmã de Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias, principal reduto do ex-presidente Jair Bolsonaro no Estado.
No campo conservador, o PL lançou o deputado estadual Douglas Ruas como pré-candidato, com apoio de Flávio Bolsonaro. Ruas ganhou visibilidade como secretário estadual das Cidades, pasta responsável por investimentos em municípios do interior. A direita, porém, ainda busca unidade. Nomes como Doutor Luizinho (PP), Nicola Miccione (PL), Felipe Curi (PP), Rodolfo Landim (PP) e Rodrigo Bacellar (União Brasil) circulam como alternativas.
O Estado pode viver situação atípica: se o governador Cláudio Castro (PL) deixar o cargo para disputar o Senado, haverá eleição indireta na Alerj para um mandato-tampão até dezembro, antes do pleito regular de outubro.
Na esquerda, apesar da vantagem de Paes, o Psol avalia candidatura própria, com William Siri como nome mais provável, além de Mônica Benício e Thais Ferreira. O PT tende a manter apoio a Paes, embora a eventual candidatura de André Ceciliano em uma eleição indireta possa alterar o cenário.
Com Paes na frente nas pesquisas, o jogo segue em formação. A possível eleição indireta e as alianças a serem consolidadas até as convenções partidárias podem redefinir o equilíbrio da disputa.
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