A Polícia Militar do Ceará prendeu na quarta-feira (4) um líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) suspeito de planejar sequestro do senador Sérgio Moro (União-PR) em 2023. Sidney Rodrigo Aparecido Piovesan, conhecido como El Cid, foi localizado em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza (CE), durante abordagem em rodovia.
El Cid tinha dois mandados de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) em aberto, um por homicídio e outro de regressão cautelar por associação para o tráfico de drogas. Ele foi conduzido para uma unidade da Polícia Federal (PF).
Em nota, a Polícia Militar informou que sua esposa já havia sido presa horas antes em Iguatu, a mais de 300 quilômetros de onde El Cid foi encontrado. Durante abordagem, ele apresentou um documento falso e os policiais desconfiaram da atitude.
El Cid estava foragido desde 2022, quando fugiu de uma penitenciária em São Paulo. Ele já era monitorado no Ceará, e a partir da prisão da esposa, segundo a PM, as equipes de segurança intensificaram as diligências.
"Ótimo"
Nas redes sociais na manhã desta quinta-feira (5), o senador comemorou a prisão. Moro afirmou que El Cid é "mais um que se vai".
Segundo o parlamentar, tanto em sua carreira de magistrado quanto no comando do Ministério da Justiça durante o governo Bolsonaro, entre janeiro de 2019 e abril de 2020, trabalhou contra criminosos.
"Os criminosos sabem quem, na magistratura ou no ministério, trabalhou duro contra eles. Continuarei assim agindo no Senado e, futuramente, se for honrado por meus conterrâneos, no Governo do Paraná."
Governo local
O governador do Ceará, Elmano de Freitas, também celebrou a prisão. Segundo ele, El Cid chegou ao Ceará após fugir de uma penitenciária de São Paulo e não teve "vida fácil".
"Um dos bandidos mais perigosos do país, El Cid, chefe da célula terrorista do PCC, é preso pela nossa PM no Ceará. Fugiu de penitenciária paulista, veio se esconder no Ceará, e aqui não teve vida fácil."
Plano de sequestro
Segundo apurações da Polícia Federal (PF) à época, o plano do PCC foi elaborado como uma ação de vingança e pressão contra o Estado, em resposta às medidas adotadas por Moro quando era juiz da Lava Jato e ministro da Justiça.
Durante o comando do MJ, Moro coordenou a transferência de líderes da facção para presídios federais e o endurecimento do regime prisional, o que teria motivado o plano.
As investigações apontaram que integrantes de uma célula da facção, ligada a um núcleo chamado Restrita 05, estudavam a rotina de Moro e de sua família para identificar locais que ele frequentava e possíveis pontos vulneráveis de segurança.
De acordo com a PF, o plano previa sequestrar Moro para extorsão, com a possibilidade de assassinato a depender da reação das autoridades e da utilidade do crime para os interesses do grupo.
O plano foi desmontado antes da execução por uma ação da PF, que interceptou comunicações internas da facção e deflagrou uma operação nacional para prender os envolvidos e impedir que o ataque fosse levado adiante.