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Lula disse a Vorcaro que não teria posição política contra o Master

Presidente afirma estar despreocupado a respeito de eventuais conexões políticas de Daniel Vorcaro e defendeu profundidade das investigações.

5/2/2026
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O presidente Lula revelou nesta quinta-feira (5) ter sido procurado pelo proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, durante o início das investigações da Polícia Federal contra a instituição acusada de fraude financeira. O banqueiro teria pedido ajuda alegando ser alvo de perseguição, no que o chefe de governo respondeu que a apuração aconteceria de forma técnica, sem envolvimento de posicionamentos políticos.

"Ele então me contou da perseguição que ele estava sofrendo, que tinha gente interessada em derrubar ele, que não sei das contas e tal. O que eu disse para ele? 'Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica feita pelo Banco Central'", relatou o presidente Lula em entrevista ao Uol.

Confira sua fala:

Em seguida, completou: "Você fique tranquilo que a política não entrará na investigação do seu banco, o que vai entrar é a competência técnica do Banco Central para saber se está errado ou está errado, se você quebrou, se não quebrou, se tem dinheiro lavado ou não tem. E é isso que está sendo feito".

Segundo Lula, a reunião com Vorcaro foi iniciativa do economista Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda nas gestões petistas anteriores e ex-consultor do Master. Após o encontro, o presidente afirmou ter chamado uma reunião com Gabriel Galípolo, presidente do BC, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, "porque nós estávamos diante da primeira chance real de pegar os magnatas da corrupção e da lavagem de dinheiro nesse país. É uma chance extraordinária".

O presidente declarou estar despreocupado com eventuais conexões entre Vorcaro e políticos de seu círculo de aliados. "Não me importa que envolva político, não me importa que envolva partido, não me importa que envolva banco, quem tiver metido nisso vai ter que pagar o preço da irresponsabilidade e dar o rombo, talvez o maior rombo econômico da história desse país".

Fraude do Master

O Banco Master foi alvo da primeira fase da operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025. Daniel Vorcaro é acusado, junto a outros diretores do banco e donos de instituições financeiras parceiras, de emitir títulos falsos no Sistema Financeiro Nacional (SFN) e vender os papéis a diversos bancos, inflando artificialmente o patrimônio da empresa, que estava prestes a ser comprada pelo BRB.

No mesmo mês, o Banco Central determinou a liquidação do Master. Vorcaro foi preso no dia 18 e solto dez dias depois, sujeito a restrições judiciais. Desde então, nega envolvimento em fraudes financeiras.

No final de janeiro deste ano, vazaram trechos dos depoimentos de Vorcaro à Polícia Federal. Em resposta, o relator do inquérito no STF, ministro Dias Toffoli, determinou a divulgação integral do conteúdo da oitiva, incluindo também as falas do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, que compareceu na condição de terceiro interessado.

Durante as oitivas, Ailton Aquino revelou que o Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa durante a liquidação. Vorcaro confirmou que a empresa enfrentava uma crise de liquidez e atribuiu a responsabilidade pelo aperto financeiro ao próprio Banco Central.

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