Durante seu depoimento à CPMI do INSS nesta quinta-feira (5), o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, afirmou ter estranhado as condições dos contratos de crédito consignado celebrados pelo Banco Master. "A gente pediu para ver o contrato, porque achava que algo estava cheirando mal, algo estava ruim", afirmou.
O presidente da autarquia revelou que, desde setembro, o INSS desconfiava da validade dos contratos do Master diante do grande número de reclamações e denúncias de pensionistas. "A gente verificou que tinha algo errado com o Master. A gente entendeu que não tem como eles continuarem prestando serviço aos nossos aposentados e pensionistas com esse nível de reclamação", disse.
Confira sua fala:
Waller Júnior acrescentou nunca ter tido contato direto com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e que as relações com a instituição sempre ocorreram por intermédio de dirigentes e advogados. "Já para avisar, o Vorcaro nunca foi ao INSS, porque eu sei que essa pergunta vão fazer; eu nunca fiz uma reunião com o Vorcaro".
Os contratos com o Master teriam sido cancelados no dia 8 de outubro. O silêncio do Master em seguida também foi visto como algo anormal. "Algo nos chama a atenção, porque eles não nos procuraram de 8 até 31 de outubro. Eles ficaram calados; eles não procuraram o INSS para negociar, nem mesmo para receber sua carteira, que era deles".
Os representantes do Master entraram em contato apenas no final do mês. Waller solicitou a apresentação dos contratos de crédito consignado do banco, mas faltaram mais de 3 mil.
"Quando mostrou esses contratos, não tinha os elementos mínimos para a gente fazer o controle: não tinha o valor emprestado, taxa de juro, custo efetivo. E pior: a assinatura, que era uma assinatura eletrônica do nosso segurado, não era acompanhada com QR code, com aquilo com que você consegue certificar que a assinatura era daquela pessoa. E a gente saiu da reunião falando: 'Não tem como assinar o termo de compromisso'", relatou.
Apuração do Master
O Banco Master foi liquidado em novembro, por ordens do Banco Central, após a Polícia Federal deflagrar a operação Compliance Zero, que investiga a instituição por emitir títulos de crédito falsos no mercado financeiro para inflar artificialmente sua carteira de investimentos. Daniel Vorcaro foi preso na época, e solto dez dias depois mediante medidas restritivas.
Apesar da CPMI do INSS não tratar diretamente do escândalo do Master, o colegiado busca esclarecimentos sobre indícios de participação do banco no esquema de fraude em descontos associativos de aposentados e pensionistas.
Daniel Vorcaro está entre os convocados para falar à CPMI. A cúpula da comissão possui um acordo com a sua defesa para que o depoimento seja realizado após o Carnaval, na reunião do dia 26.