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Senado debate uso de verba pública no Carnaval e limites a homenagens

Projetos em análise tratam de limites para financiamento da folia e ampliam o status da festa como patrimônio nacional.

13/2/2026
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Em meio à efervescência dos festejos carnavalescos, o tema também entrou na agenda do Senado. Projetos em tramitação discutem regras para o uso de recursos públicos na festa e ampliam o reconhecimento de manifestações tradicionais como patrimônio cultural.

Uma das propostas é o projeto de lei 392/2026, do senador Bruno Bonetti (PL-RJ). O texto proíbe a aplicação de verbas federais em homenagens personalizadas a autoridades ou agentes públicos no exercício do mandato.

A iniciativa foi apresentada após o anúncio de que a escola Acadêmicos de Niterói homenageará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no desfile deste ano.

O projeto impede que recursos da União financiem enredos, apresentações ou atividades que exaltem governantes. Também veta o uso de símbolos ligados a campanhas eleitorais. Em caso de descumprimento, prevê suspensão de repasses, devolução de valores e impedimento de novas parcerias com o governo federal por até cinco anos.

Segundo o autor, a medida busca assegurar os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa. Ele afirma que eventuais homenagens podem ocorrer, desde que custeadas com recursos privados.

Foliões participam do desfile do bloco das Carmelitas pelas ruas de Santa Teresa, no centro do Rio de Janeiro.Eduardo Anizelli/Folhapress

Apologia ao crime

Outra proposta em debate é o projeto de lei 1.211/2025, do senador Cleitinho (Republicanos-MG). O texto estabelece critérios para a concessão de recursos públicos a eventos carnavalescos.

Se aprovada, escolas de samba e blocos que utilizarem verba oficial para promover apologia ao crime, ao tráfico de drogas ou à intolerância religiosa poderão sofrer sanções.

Entre as punições previstas estão a suspensão de repasses e a aplicação de multas. O senador argumenta que a intenção é garantir responsabilidade no uso do dinheiro público, sem limitar a liberdade artística.

Limites para contratação

Também tramita o projeto de lei 370/2026, do senador Angelo Coronel (PSD-BA). A proposta altera a Lei de Licitações para fixar critérios objetivos na contratação de artistas por municípios com recursos públicos.

O texto estabelece teto vinculado à Receita Corrente Líquida ou limite de R$ 700 mil por artista ao ano.

O autor sustenta que a ausência de parâmetros claros tem gerado controvérsias e insegurança para gestores e profissionais do setor cultural.

Nem todas as iniciativas têm caráter restritivo. O projeto de lei 4.962/2023, da deputada Lídice da Mata (PSB-BA), já aprovado na Câmara, reconhece o trio elétrico como manifestação da cultura nacional. A proposta ressalta a origem do formato na Bahia, quando Dodô e Osmar adaptaram instrumentos a um veículo motorizado para tocar frevo nas ruas e criaram o trio elétrico.

Valorização da tradição

Além das propostas em análise, leis aprovadas nos últimos anos ampliaram o reconhecimento oficial do carnaval. Salvador, Rio de Janeiro e Pernambuco receberam o título de manifestação da cultura nacional por meio de normas sancionadas entre 2023 e 2025.

Blocos, bandas e escolas de samba também foram reconhecidos como patrimônio cultural brasileiro. Eventos regionais, como o Carnaval de Nova Russas e de Aracati, no Ceará, e o Carnatal, no Rio Grande do Norte, passaram a integrar o calendário turístico oficial.

As novas propostas aguardam encaminhamento às comissões do Senado.

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