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Lista: os produtos brasileiros que escaparam da tarifa de 15% dos EUA

Nova tarifa global de Trump começa a valer nesta terça (24), mas minérios, combustíveis e outros produtos estratégicos do Brasil ficaram de fora.

24/2/2026
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A nova tarifa global de 15% sobre produtos importados pelos Estados Unidos começou a valer às 00h01 desta terça-feira (24), no horário de Washington. A medida foi anunciada pelo presidente Donald Trump após a Suprema Corte americana derrubar parte do tarifaço imposto em abril a mais de 180 países com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).

A decisão judicial anulou as tarifas chamadas "recíprocas" de 10% e também a sobretaxa de 40% aplicada a diversos produtos brasileiros em 2025. No lugar delas, Trump acionou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite impor uma tarifa temporária de até 15% por 150 dias sem aprovação imediata do Congresso.

Na prática, quase todos os produtos importados pelos EUA passam a pagar tarifa original anterior a 2025, além do adicional temporário global de 15%. Mas há exceções relevantes, e itens centrais da pauta exportadora brasileira ficaram de fora da sobretaxa.

Porto de Santos, o maior hub de exportações do Brasil.Divulgação/Porto de Santos

O que muda para o Brasil

A nova regra não é direcionada ao Brasil. A tarifa é global. Porém, o impacto varia de acordo com os produtos exportados por cada país.

O Brasil tem uma pauta concentrada em commodities minerais e energéticas, insumos industriais, produtos agroindustriais, celulose, aeronaves e componentes. Boa parte desses itens aparece na lista de isenção do Anexo I da ordem executiva americana.

O vice-presidente Geraldo Alckmin resumiu alguns deles: "Zerou para combustível, carne, café, celulose, suco de laranja, aeronaves."

Isso não significa tarifa zero total, mas que esses produtos não pagarão o adicional de 15%. Continuam valendo as alíquotas normais anteriores.

Há exceções importantes: aço e alumínio seguem sujeitos a tarifas de 50%, que agora se somam aos 15% recém-anunciados.

Produtos brasileiros isentos da sobretaxa de 15%

A lista de isenção é ampla e contempla desde matérias-primas básicas até manufaturados de alto valor agregado. Veja os principais produtos que escaparam da tarifa extra:

Produtos agrícolas e alimentares

  • Castanha do Brasil com casca, fresca ou seca
  • Polpa de laranja
  • Suco de laranja (diversas formas e concentrações)

Minérios e minerais

  • Mica bruta
  • Minério de ferro (não aglomerado e aglomerado)
  • Minérios de estanho e concentrados

Carvão e derivados

  • Carvão antracite e betuminoso
  • Lignite, turfa, coque e semicoque de hulha
  • Gás de hulha e gases similares

Gases e derivados petroquímicos

  • Gás natural liquefeito (GNL)
  • Propano liquefeito
  • Butanos liquefeitos
  • Etileno, propileno, butileno e butadieno liquefeitos
  • Gás natural em estado gasoso
  • Outros hidrocarbonetos gasosos

Produtos de petróleo e combustíveis

  • Óleos brutos e derivados de petróleo
  • Combustíveis automotivos e de aviação
  • Óleos e graxas lubrificantes
  • Vaselina, parafina e ceras minerais

Energia e insumos industriais

  • Energia elétrica
  • Silício e compostos inorgânicos
  • Hidróxido de potássio
  • Óxido de alumínio
  • Compostos químicos clorados

Fertilizantes e químicos

  • Fertilizantes NPK
  • Fertilizantes com fósforo ou potássio
  • Produtos químicos industriais diversos

Madeira e celulose

  • Madeira tropical
  • Polpas químicas de madeira
  • Polpas de papel e fibras vegetais

Metais e produtos ferrosos

  • Ouro não monetário
  • Barras de prata/dorê
  • Ferro-gusa
  • Ferroníquel
  • Ferronióbio
  • Produtos ferrosos reduzidos diretamente
  • Sucata e resíduos metálicos

Componentes e bens industriais

  • Peças e componentes de aeronaves civis
  • Tubos, canos e mangueiras rígidas
  • Pneus para aeronaves
  • Artigos de plástico
  • Acessórios industriais e componentes de máquinas

Aeronaves e equipamentos

  • Helicópteros
  • Aviões e aeronaves motorizadas
  • Aeronaves não tripuladas

Por que esses itens ficaram de fora?

A decisão americana não foi aleatória. Ela segue uma lógica econômica e estratégica.

Energia e combustíveis impactam diretamente inflação e custos logísticos.

Fertilizantes e insumos agrícolas influenciam a produção de alimentos nos EUA.

Minerais e insumos industriais, como alumina e ferro-ligas, são essenciais para cadeias industriais.

Aeronaves e componentes fazem parte de cadeias altamente integradas entre Brasil e EUA.

Insumos tecnológicos e industriais têm peso estratégico na segurança econômica.

Ao preservar esses itens, o governo americano reduz o risco de:

  • aumento imediato da inflação doméstica;
  • desorganização de cadeias produtivas;
  • pressão sobre setores considerados estratégicos.

O que isso significa para a economia brasileira

A inclusão de minério de ferro, combustíveis, celulose, fertilizantes e aeronaves entre os isentos reduz o impacto direto sobre setores que concentram grande parte das exportações brasileiras aos EUA.

Ainda assim, o ambiente permanece instável. A tarifa de 15% é temporária e pode ser prorrogada, ajustada ou substituída por um novo regime após análise do Congresso americano.

Levantamento do Global Trade Alert (GTA), centro independente de monitoramento de políticas comerciais, mostra que o país terá a maior redução na tarifa média efetiva entre os 20 principais exportadores para os EUA: queda de 13,6 pontos percentuais.

Por que o Brasil é o mais beneficiado

Durante o período de maior tensão comercial, o Brasil foi submetido a uma combinação de tarifas: uma alíquota "recíproca" de 10%, sobretaxas adicionais que chegaram a 40% sobre diversos produtos e a manutenção de medidas setoriais, como as aplicadas via Seção 232 (aço e alumínio). Isso levou a tarifa média efetiva incidente sobre exportações brasileiras a patamar significativamente superior à média global.

Com a anulação das medidas baseadas na IEEPA, o governo americano abandonou o modelo diferenciado por país e adotou uma sobretaxa uniforme de 15%. O efeito é uma compressão das distâncias: países que pagavam muito acima da média, como o Brasil, registram forte redução; aqueles que estavam abaixo se aproximam da nova média global.

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