O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que o setor produtivo rural trabalhará politicamente para impedir a reeleição do presidente Lula em 2026 e descartou qualquer possibilidade de reaproximação com o atual governo.
"O projeto do agro é tirar o PT do poder. Não existe possibilidade da produção agropecuária do Brasil sobreviver com mais quatro anos de PT", declarou ao Congresso em Foco.
Lupion elevou o tom ao acusar o governo de hostilidade institucional contra o setor:
"Nós somos odiados por esse governo, claramente. Nós somos atacados em todas as frentes".
A FPA é considerada uma das bancadas mais influentes do Congresso Nacional. Reúne cerca de 350 deputados e senadores de diferentes partidos e, pela capilaridade suprapartidária, tem capacidade de alterar o rumo de votações estratégicas, especialmente nas áreas ambiental, fundiária, tributária e econômica. Em temas ligados ao agronegócio, dificilmente o governo consegue formar maioria sem diálogo com o grupo.
Histórico de embates
Os atritos entre a bancada ruralista e o PT são históricos. Nos governos petistas anteriores, confrontos envolvendo demarcação de terras indígenas, reforma agrária, Código Florestal e políticas ambientais marcaram a relação.
No governo Jair Bolsonaro, a FPA foi uma das principais aliadas do Planalto. O Ministério da Agricultura era comandado por Tereza Cristina (PP-MS), ex-presidente da frente e hoje senadora, considerada uma das principais lideranças do setor no Congresso. Nesse período, a interlocução entre Executivo e bancada era direta e frequente, e pautas defendidas pelo agro avançaram com maior fluidez.
Lupion afirma que o cenário atual é o oposto:
"No governo passado, havia respeito claro ao produtor rural. Hoje, o volume de críticas é muito maior do que qualquer possibilidade de elogio".
Mesmo com as divergências, o agronegócio brasileiro fechou 2025 com recorde de US$ 169 bilhões em exportações e superávit de US$ 149 bilhões. O setor respondeu por quase metade das vendas externas do país, impulsionado por um número recorde de aberturas e ampliações de mercado. Para Lupion, o crescimento deve ser atribuído a fatores externos, e não ao governo brasileiro.
Eleições de 2026 e articulação da centro-direita
O deputado defendeu a construção de um projeto alternativo de poder no campo da centro-direita e citou nomes como Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior e Ronaldo Caiado como possíveis lideranças capazes de unificar o setor:
"O agro estará contra o PT, seja com quem for".
Para Lupion, a divergência não é apenas ideológica, mas estrutural. Ele criticou a condução da política econômica, citando juros elevados, dificuldade de acesso ao crédito e aumento do endividamento rural.
"Estamos falando de equalização de juros em patamares altíssimos, crédito impraticável, produtor tendo que escolher insumo porque não consegue financiar tudo. Isso é reflexo de irresponsabilidade fiscal", disse. "A gente já desceu do palanque faz tempo. O que queremos é alguém que pense no país, que pense em futuro, que garanta ambiente macroeconômico saudável para produzir", declarou.
A relação entre parte do setor rural e o bolsonarismo também foi colocada sob escrutínio após os atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. Investigações da Polícia Federal apontaram que alguns produtores rurais, sem vínculo com a FPA, ajudaram a financiar acampamentos pró-intervenção militar que antecederam os ataques e pediam ruptura institucional após a derrota de Jair Bolsonaro nas urnas.O episódio reforçou a associação política entre segmentos do agro e o bolsonarismo mais radical.
Força institucional
Com cerca de 350 parlamentares, a FPA é hoje uma das maiores frentes do Congresso e opera como um bloco de pressão organizado. Em votações decisivas, como reforma tributária, marco temporal, licenciamento ambiental e crédito rural, sua capacidade de mobilização é determinante.
A declaração de Lupion sinaliza que a bancada pretende atuar não apenas como grupo de defesa setorial, mas como ator político central na disputa presidencial de 2026 — repetindo o protagonismo exercido em 2018 e 2022.