A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou na quinta-feira (26) a Operação Falsa Tribuna, que mira uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas. O grupo é acusado de usar perfis falsos de deputados e ex-deputados de Brasília para aplicar golpes via Pix.
Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão em Goiânia (GO), os investigadores encontraram um dispositivo acoplado à tornozeleira eletrônica de um dos alvos que, segundo a força de segurança, era utilizado para burlar o monitoramento judicial.
O investigado é apontado como "gerente" da organização criminosa. Ele cumpre pena de 21 anos de reclusão por roubo, em regime semiaberto, e utiliza tornozeleira eletrônica por determinação judicial.
No imóvel, policiais localizaram um dispositivo eletrônico semelhante a um "pen drive" acoplado à tornozeleira eletrônica do suspeito. A hipótese levantada pela polícia é de que o equipamento funcionaria como bloqueador ou interferidor de sinal.
A peça foi apreendida e será submetida à perícia técnica, que deverá avaliar a capacidade de bloquear ou interferir no sinal da tornozeleira, a compatibilidade com os sistemas de monitoramento utilizados na execução penal e os registros de interrupção ou falhas suspeitas no rastreamento do investigado.
A apreensão foi confirmada pela PCDF ao Congresso em Foco. Segundo o delegado Dário Freitas, a suspeita é de que o dispositivo fosse utilizado para a realização de outros crimes sem que o Estado fosse notificado.
"É muito provável que o nosso suspeito, o indivíduo que foi alvo da busca, estivesse utilizando esse equipamento para a prática de crimes fora do crivo do Estado, da central de monitoramento da Justiça."
Do ponto de vista legal, caso seja comprovada a finalidade ilícita, o uso do aparelho pode ser considerado falta grave no âmbito da execução da pena, abrindo espaço para regressão de regime e perda de benefícios. O homem também é acusado pela Polícia Civil de destruir ou ocultar provas durante a operação.
Segundo a Polícia, os elementos apreendidos por meio da operação permitem apontar quatro crimes:
- Falsa identidade, com pena prevista de detenção, de três meses a um ano, ou multa;
- Estelionato mediante fraude eletrônica, com pena prevista de reclusão, de quatro a oito anos, e multa;
- Lavagem de capitais, com pena prevista de três a dez anos de reclusão, e multa;
- Associação criminosa, com pena prevista de reclusão de um a três anos.
Operação Falsa Tribuna
Coordenada pela PCDF, a operação recebeu apoio da Polícia Civil de Goiás (PCGO), por meio da Delegacia Especial de Crimes Cibernéticos. A estrutura criminosa investigada é considerada altamente organizada, com uso intenso de tecnologia e atuação direcionada a vítimas que confiavam na imagem das autoridades.
Segundo as investigações, o grupo criava perfis falsos de parlamentares em aplicativos de mensagem e redes sociais, com fotos, dados públicos e informações sobre agenda política para dar credibilidade às abordagens.
A partir dos perfis, os criminosos simulavam situações de emergência, como acidentes, problemas de saúde ou demandas urgentes ligadas a projetos sociais, e pediam transferências via Pix a apoiadores.
Ainda em andamento, a operação busca identificar outros membros da organização criminosa, mapear o fluxo financeiro do dinheiro obtido de forma ilícita e localizar novas vítimas que possam ter sido enganadas pelos perfis falsos de parlamentares.