Nesta terça-feira (10), o ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Cesar Asfor Rocha lança, em Brasília, a segunda edição do livro Cartas a um jovem juiz: cada processo hospeda uma vida. O evento será realizado a partir das 18h30, no Lago Sul, com apoio da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e realização dos portais Migalhas e Congresso em Foco.
A obra traz reflexões acumuladas ao longo da trajetória do autor na advocacia e na magistratura e propõe um diálogo direto com as novas gerações do sistema de Justiça. O livro aborda temas como ética, responsabilidade institucional e a dimensão humana das decisões judiciais.
Escrito em formato epistolar, o trabalho se afasta da linguagem técnica tradicional dos manuais jurídicos. Em vez de um tratado acadêmico, Asfor Rocha opta por cartas dirigidas a jovens magistrados, ainda que as reflexões também alcancem advogados, membros do Ministério Público e estudantes de Direito.
A proposta é compartilhar experiências construídas ao longo de décadas de atuação e estimular uma visão mais humanista da atividade jurisdicional. O eixo central da obra está sintetizado no próprio subtítulo: cada processo hospeda uma vida.
Para o autor, por trás de cada demanda judicial existem histórias pessoais, expectativas e projetos de vida. Ignorar essa dimensão humana, afirma, significa reduzir o Direito a um exercício meramente burocrático.
"Cada processo é a história individual de uma pessoa, sua vida, projetos, sonhos e esperança de conforto e êxito. Por isso, diz-se que cada processo é uma pessoa e encerra nele os problemas de uma existência, hospeda uma vida."
Ao longo do livro, o ministro aposentado também defende que a aplicação da lei não pode se limitar à literalidade normativa. Segundo ele, a interpretação jurídica precisa considerar o contexto social e os impactos concretos das decisões.
Trajetória
Natural de Fortaleza (CE), Cesar Asfor Rocha atuou como advogado por cerca de duas décadas antes de assumir, em 1992, uma cadeira no Superior Tribunal de Justiça. Presidiu a Corte entre 2008 e 2010 e também integrou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde exerceu a função de corregedor nacional.
Após se aposentar do tribunal, retornou à advocacia. Ao refletir sobre sua trajetória profissional, costuma destacar a complementaridade entre as duas experiências.
Durante sua presidência no STJ, o tribunal avançou na digitalização de processos, consolidou o sistema de recursos repetitivos e ampliou a integração institucional com organismos internacionais.
Serviço
O lançamento da nova edição de Cartas a um jovem juiz: cada processo hospeda uma vida será realizado nesta terça-feira (10), às 18h30, na QL 6, conjunto 1, casa 16, no Lago Sul, em Brasília.