O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), confirmou nesta quinta-feira (12) o recebimento dos dados extraídos com a quebra dos sigilos telefônico e telemático de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O material ficará armazenado na sala-cofre do Senado, com acesso restrito aos parlamentares da comissão.
Cada gabinete poderá indicar um assessor para acompanhar a análise do material, exceto o relator, Alfredo Gaspar (União-AL), que poderá cadastrar dois. A sala comporta sete pessoas por vez. Cada uma poderá permanecer por até uma hora. O espaço ficará aberto a partir de sexta-feira (13), das 9h às 21h.
"Diante dos vazamentos que aconteceram semana passada e das acusações infundadas de que a CPMI teria vazado, por determinação dessa presidência nós vamos colocar em uma sala-cofre, uma sala reservada onde só entram os parlamentares sem o uso de qualquer dispositivo eletrônico e isso para garantir que os dados sejam todos eles utilizados apenas para o fim da investigação", anunciou Viana.
O procedimento de acesso por sala-cofre foi o mesmo adotado para os documentos sigilosos obtidos pela CPMI dos ataques de 8 de janeiro de 2023. Segundo o senador, o material reúne milhares de páginas com mensagens de texto e transcrições e levou mais de sete horas para ser transferido ao Congresso Nacional.
O presidente da comissão antecipou que pretende votar, na próxima semana, um novo requerimento para obter os dados do empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. "A minha intenção é aprovar um requerimento na semana que vem pedindo o compartilhamento dessas informações para que os parlamentares possam utilizar, nós tenhamos todos os dados e acabar de vez com essa história de que há blindagem", declarou.
A CPMI busca descobrir se o Banco Master participou do esquema de fraudes em descontos associativos no INSS. A instituição passou a levantar suspeitas após o presidente do Instituto, Gilberto Weller, relatar à comissão o encerramento de parcerias com o banco ao identificar indícios de falsificação de contratos de crédito consignado.
Crítica governista
O 1º vice-líder do governo, Alencar Santana (PT-SP), criticou a decisão de condicionar o acesso aos dados à sala-cofre. "É humanamente impossível, conseguirmos analisar milhares de páginas em horário fracionado para cada deputado e uma pessoa do seu gabinete, poder analisar esse material. Ora, isso vai impedir que a gente chegue à verdade, isso vai impedir que a gente possa avançar na investigação", disse.
O congressista ressaltou que os vazamentos de mensagens ocorreram antes de o material chegar à CPMI e afirmou que já seria tarde para impedir a circulação do conteúdo. "Parte já saiu por aí. A gente já viu, aliás, expondo até mulheres que ele tinha algum tipo de contato. Mas nós queremos a verdade absoluta da relação política, é isso que nos interessa investigar, não outro tipo de conversa".