O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu alta médica nesta sexta-feira (27), após duas semanas internado em decorrência de um quadro de pneumonia bacteriana provocada por broncoaspiração.
Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, Bolsonaro será levado para casa, em um regime de prisão domiciliar humanitária. A decisão de Moraes foi proferida na terça-feira (24) e possui caráter provisório de 90 dias a contar da data de alta.
Bolsonaro, até ser transferido para um hospital particular no último dia 13, estava preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), conhecido como Papudinha. O ex-presidente foi levado ao DF Star após apresentar vômitos e calafrios.
Durante a internação, Bolsonaro foi submetido em UTI por 13 dias, até ser transferido para um quarto na noite de segunda-feira (23).
Prisão domiciliar
Na decisão, o ministro afirmou que o sistema prisional garantiu com eficiência a saúde e a dignidade do ex-presidente durante o período de custódia, inclusive com transferência rápida ao hospital quando necessária.
Ainda assim, o ministro entendeu que, diante do quadro clínico, da idade de 71 anos e das comorbidades apontadas em relatório médico, o ambiente domiciliar é mais adequado para a recuperação completa.
Segundo Moraes, o prazo da prisão domiciliar começará a ser contado a partir da alta médica. O ministro destacou que a recuperação total de uma broncopneumonia em idosos pode levar de 45 a 90 dias devido à fragilidade do sistema imunológico nessa faixa etária.
A decisão também impôs medidas cautelares. Moraes determinou o uso de tornozeleira eletrônica e manteve autorização de visitas para os filhos em dias e horários específicos. As visitas terão vistoria prévia para retenção de aparelhos eletrônicos, e a polícia deverá inspecionar todos os veículos que saírem da residência.
Também foram mantidas as visitas da defesa e da equipe médica, além de eventuais saídas de urgência para internação. Bolsonaro poderá seguir recebendo atendimento de fisioterapia em dias determinados da semana.
Por outro lado, o ex-presidente continua proibido de usar celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, inclusive por terceiros, além de não poder usar redes sociais nem gravar vídeos ou áudios.
Moraes ainda suspendeu todas as demais visitas durante o período da prisão domiciliar para preservar o ambiente controlado necessário à recuperação de Bolsonaro e evitar riscos de infecção. O ministro também determinou o envio semanal de relatórios médicos sobre o estado de saúde do ex-presidente.
Estado de saúde
Desde que teve a prisão decretada em 22 de novembro de 2025, Bolsonaro já foi levado ao hospital em diferentes circunstâncias. Enquanto estava na Superintendência da Polícia Federal, o ex-presidente passou por uma cirurgia para tratar hérnia e crises persistentes de soluços em decorrência da facada que sofreu em 2018.
Bolsonaro possui um histórico de problemas digestivos, apneia do sono severa, câncer de pele, hipertensão arterial e traumatismo craniano leve, quando sofreu uma queda já preso.
Em prisão domiciliar, antes de violar a tornozeleira eletrônica, o ex-presidente também precisou ser levado ao hospital com mal-estar, vômitos, pressão baixa e soluços intensos.