O Movimento Revolução Solidária, corrente do Psol na qual estão o ministro Guilherme Boulos, a deputada Erika Hilton (Psol-SP) e outras lideranças da sigla, anunciou nesta sexta-feira (27) a decisão de permanecer na sigla, encerrando a indefinição sobre a possibilidade de migração ao PT durante a janela partidária. No entendimento do grupo, a permanência é necessária para garantir a sobrevivência eleitoral da legenda.
O grupo é favorável à adesão do partido à federação PT-PCdoB-PV para aumentar as chances de aumento da bancada do campo progressista nas eleições proporcionais deste ano. A proposta foi derrotada na convenção nacional no início de março, quando a sigla decidiu que apoiaria a reeleição do presidente Lula, mas permaneceria federada apenas à Rede Sustentabilidade.
Desde a derrota, o grupo abriu um debate interno sobre seu futuro eleitoral. Uma ala dissidente chegou a publicar manifesto acusando Boulos de propor a federação para criar uma crise interna que justificasse perante a opinião pública sua migração ao PT, narrativa negada por ele e demais membros da cúpula do movimento.
Sobrevivência partidária
A nível federal, o Revolução Solidária conta com a maior parte da ala paulista da bancada do Psol na Câmara dos Deputados, com Guilherme Boulos, Erika Hilton e Luciene Cavalcante, além do deputado Henrique Vieira (Psol-RJ). Também possui seis deputados estaduais: dois em São Paulo, três no Rio de Janeiro e Bella Gonçalves em Minas Gerais.
Em nota, o segmento afirma que "um saída imediata destas figuras do Psol tornaria praticamente impossível ao partido ultrapassar a cláusula de barreira, levando à sua inviabilização institucional". Temendo que um enfraquecimento do partido pudesse prejudicar todo o campo progressista, o movimento optou por permanecer.
O grupo considera que, "apesar do grave erro" de negar a proposta de federação, "o Psol tem sua importância na esquerda brasileira e que sua inviabilização institucional não faria bem ao campo progressista".
No mesmo anúncio, não deixaram de fazer críticas ao próprio partido:
"Mesmo com ataques públicos rebaixados de algumas figuras do PSOL, vindos de quem está acostumado a apostar na eterna divisão da esquerda e a levar polêmicas internas para a rede social, desqualificando lideranças e posições, nos movemos agora, como sempre fizemos, pela responsabilidade política para enfrentar os desafios atuais e futuros de um projeto popular para o Brasil", declararam.
O segmento reforçou que seguirá "debatendo nossos rumos políticos e partidários, motivados pela defesa unidade do campo progressista contra o fascismo e por um projeto de esquerda que busque formar maiorias populares".