O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), usou o lançamento de sua pré-candidatura ao Planalto, nesta segunda-feira (30), para atacar o PT e, ao mesmo tempo, marcar posição diante de um adversário potencial no mesmo campo ideológico: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Caiado afirmou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não tem "vivência" nem "experiência" para governar o país. "Não se aprende a governar na cadeira de presidente", declarou. "Governar não se governa por decreto. Mas dialogando", reforçou.
A crítica foi feita em um discurso no qual o pré-candidato do PSD tentou combinar confronto com a esquerda e acenos ao bolsonarismo, inclusive ao se comprometer a anistiar o ex-presidente e os demais condenados por tentativa de golpe. No evento, o governador afirmou que derrotar o PT seria a parte mais fácil de uma eventual eleição presidencial, mas que o verdadeiro desafio seria governar de modo a impedir a volta dos petistas ao poder.
"O desafio não é ganhar a eleição do PT apenas, isto é fácil, sem dúvida alguma, no segundo turno ele estará batido. O difícil é governar para que o PT não seja mais opção no país", declarou.
Na sequência, Caiado dirigiu a crítica a Flávio Bolsonaro. "Ele não teve essa experiência. Não acumulou essa experiência. Não tem essa vivência de contatar com o Congresso, contatar com o Supremo, contatar com os outros governadores", afirmou.
O pré-candidato lembrou que foi candidato a presidente pela primeira vez em 1989, quando tinha 40 anos, mesma idade de Fernando Collor, que acabou vencendo a disputa em segundo turno com Lula. Segundo Caiado, na época, seu pai o desaconselhou a disputar por causa da idade e inexperiência política. Na avaliação dele, o seu pai tinha razão.
Ímpeto da idade
Em outro trecho, reforçou o ataque com referência à idade do senador, de 44 anos. "O ímpeto da idade, às vezes, ultrapassa alguns momentos de equilíbrio. E governar não se governa por decreto. Se governa dialogando, se governa sentando à mesa", disse. "Na democracia tem que se conviver harmonicamente. O que precisa é de experiência. Não cabe improvisação neste momento", acrescentou.
Ortopedista, o governador lançou mão de uma metáfora médica para criticar o filho do ex-presidente. "Você tem um filho acometido de um problema de saúde. Você vai optar por um médico que tem um número, o outro que tem maus resultados ou o que tem competência para operar seu filho?", questionou.
Caiado tem 76 anos e foi deputado federal entre 1991 e 2015, senador e governador de Goiás por dois mandatos. Flávio, por sua vez, foi deputado estadual no Rio de Janeiro antes de chegar ao Senado. Advogado, também atuou como empresário e foi sócio de uma franquia de loja de chocolates no Rio.
O governador goiano afirmou ainda que seu projeto é "furar a bolha". "(A polarização) é sustentada por um projeto político, por aqueles que realmente se beneficiam dela. Pode ser desativada? Sim, pode. Por alguém que não é parte dela. É o que pretendo fazer chegando à Presidência", defendeu.