O presidente Lula (PT) confirmou nesta terça-feira (31) que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) será novamente seu companheiro de chapa na disputa presidencial deste ano. Ao falar sobre a saída de ministros que disputarão as eleições, Lula afirmou que Alckmin terá de deixar o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços porque será candidato a vice-presidente "outra vez", encerrando publicamente uma indefinição que vinha alimentando disputa nos bastidores do governo e da base aliada.
"O companheiro Alckmin vai ter que deixar o MDIC porque ele é candidato a vice-presidente da República outra vez", declarou.
A confirmação ocorre menos de duas semanas após o próprio Lula ter dito que Alckmin poderia ser mais útil em outra frente: uma candidatura ao Senado por São Paulo. Na ocasião, o presidente afirmou que ficaria "imensamente feliz" em repetir a chapa de 2022, mas fez um apelo para que o vice considerasse concorrer ao Senado, sob o argumento de que a decisão deveria levar em conta onde ele poderia render mais eleitoralmente. Alckmin, porém, resistia a ideia de concorrer em São Paulo, preferindo vislumbrar a possibilidade de permanecer na vice-presidência.
Essa hesitação de Lula dialogava com a pressão de setores do PT para que a vaga de vice fosse usada como ativo eleitoral mais amplo, abrindo espaço para um nome de partido com maior capacidade de agregação à campanha, especialmente PSD ou MDB. Nos bastidores, alas petistas defendiam que uma composição com uma dessas siglas poderia ampliar a aliança ao centro e oferecer retorno político mais robusto do que a manutenção do PSB na vice. Esse debate chegou a provocar desconforto no PSB, que se mobilizou para segurar Alckmin no posto.
A discussão ganhou novas camadas em São Paulo. Além da hipótese de Alckmin disputar o Senado, dirigentes petistas chegaram a defender abertamente uma aproximação com o PSD de Gilberto Kassab, tratado por parte do partido como peça-chave para a eleição.
Ao bater o martelo por Alckmin, Lula sinaliza que preferiu a estabilidade da aliança construída em 2022 à tentativa de redesenhar a chapa em busca de dividendos eleitorais extras. A escolha preserva o espaço do PSB na composição nacional, evita um atrito maior com um aliado histórico do atual mandato e encerra, ao menos por ora, a disputa de partidos de centro pela vice. Também indica que, apesar das especulações sobre MDB e PSD, o presidente avaliou que a lealdade de Alckmin e a funcionalidade da parceria no governo pesaram mais do que a possibilidade de um novo arranjo partidário.
Como ministro, Alckmin foi considerado peça-chave nas negociações com os Estados Unidos para a revisão de tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos de origem brasileira. Adversários nas urnas em 2006, quando Lula se reelegeu presidente e derrotou o então ex-governador tucano, os dois se aproximaram em 2022 e, desde então, têm trocado elogios e declarações de lealdade.