A Subcomissão Temporária de Prevenção e Tratamento do Câncer propôs, no encerramento de suas atividades, o combate ao câncer de colo de útero por meio do acesso à vacina contra o HPV. Na última audiência pública do colegiado na terça-feira (31), a presidente da subcomissão, senadora Dra. Eudócia (PL-AL), defendeu que o Brasil avance para ampliar a vacinação além dos grupos hoje atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com foco especial na imunização em massa entre as mulheres.
Os parlamentares defenderam que o país já dispõe de uma ferramenta eficaz para reduzir os casos de câncer de colo de útero, mas ainda enfrenta barreiras de cobertura vacinal, desinformação e desigualdade no acesso. Segundo os dados citados na reunião, 99% dos casos de câncer de colo de útero estão ligados ao HPV, vírus que pode ser prevenido por vacinação.
O Brasil deve registrar mais de 19 mil novos casos anuais entre 2026 e 2028, de acordo com projeções do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Esse aumento estimado é de 14% em comparação com o período entre 2022 e 2025. Para os participantes do debate, a necessidade de agir antes que a doença se manifeste.
Dra. Eudócia reiterou que a prevenção precisa deixar de ser um tema técnico e virar prioridade permanente na política pública de saúde, inclusive no combate ao HPV. O câncer de colo de útero é o tipo de câncer que mais mata mulheres com até 35 anos no Brasil.
"Nós sabemos que esse câncer tem dia e hora contados, porque temos a vacina contra o HPV, um vírus que causa praticamente a totalidade dos cânceres de colo de útero. A gente quer avançar e massificar essas vacinas. A minha luta não para por aqui, não é porque não vai ter mais subcomissão que a minha luta vai parar."
Entre as mulheres de até 60 anos, é o segundo tipo de câncer mais letal. Trata-se de uma doença que tem prevenção conhecida, possibilidade de rastreamento e tratamento mais eficaz quando identificada cedo, mas que ainda atinge milhares de brasileiras em razão de falhas de acesso, diagnóstico tardio e baixa cobertura vacinal.
O diretor-geral substituto do Inca, João Paulo de Biaso Viola, chamou atenção para a necessidade de uma estratégia ampla e articulada. "Precisamos atuar nas mais diversas frentes: prevenção primária, prevenção secundária, diagnóstico precoce e acesso aos tratamentos mais avançados", afirmou.
Marcella Salvadori, representante do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (Grupo EVA), afirmou que o enfrentamento do câncer de colo de útero passa necessariamente por mais capilaridade e menos desigualdade. "Ampliar o acesso e reduzir as desigualdades na vacinação contra o HPV são passos essenciais para diminuir a incidência", disse.
Entre os participantes da audiência, houve consenso sobre a força da imunização como ferramenta de prevenção. A médica Jurema Telles, da Câmara Técnica de Oncologia Clínica do Conselho Federal de Medicina, reforçou esse ponto de maneira direta. "A vacina contra o HPV é a intervenção mais efetiva que temos em toda a rede", afirmou.
Encerramento
Instalada em 27 de agosto, a Subcomissão Temporária de Prevenção e Tratamento do Câncer teve 180 dias para analisar políticas públicas, formular propostas legislativas e promover audiências sobre prevenção e tratamento da doença. Ao encerrar suas atividades, Dra. Eudócia procurou destacar que o colegiado não termina sem resultados.
Segundo a senadora, dois projetos importantes para o cuidado oncológico avançaram de forma definitiva durante o funcionamento da subcomissão. O primeiro é o projeto 126/2025, que garante acesso gratuito pelo SUS a terapias avançadas contra o câncer, incluindo vacinas terapêuticas. O outro é o projeto 2.371/2021, que assegura acesso mais rápido à imunoterapia, tratamento que estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater células cancerígenas. Ambos aguardam sanção presidencial.