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PL troca Hélio Lopes por Soraya Santos na disputa por vaga no TCU

Flávio Bolsonaro articulou a indicação da deputado do PL do Rio de Janeiro para a vaga no TCU e deixou de lado a candidatura de Hélio Lopes. Eleição está prevista para a próxima semana na Câmara.

9/4/2026
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O PL decidiu lançar a deputada Soraya Santos (RJ) como candidata do partido à vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU), em substituição ao deputado Hélio Lopes (RJ), que vinha sendo estimulado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro a entrar na disputa. A mudança foi articulada pelo senador Flávio Bolsonaro (RJ), que defendeu o nome de Soraya sob o argumento de que é preciso ampliar a presença feminina na Corte de Contas.

A escolha, porém, provocou reação dentro da própria bancada liberal. Parte dos deputados reclamou de não ter sido consultada sobre a troca de estratégia e se reuniu na tarde desta quarta-feira (8) para discutir o assunto. Nos bastidores, a movimentação de Flávio foi vista como mais um gesto de influência sobre as articulações do partido em meio à sua pré-campanha ao Palácio do Planalto.

Flávio Bolsonaro e lideranças da bancada do PL na Câmara anunciaram a candidatura de Soraya Santos (ao centro) para o TCU.Augusta Tenório/Folhapress

Ao anunciar a indicação, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), exaltou o currículo de Soraya e afirmou que a deputada reúne condições para ocupar uma cadeira no tribunal. Também disse que a parlamentar conta com o respaldo de Flávio Bolsonaro e do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. No discurso, Sóstenes buscou associar a candidatura ao protagonismo feminino dentro do partido e aproveitou para atacar o PT, numa tentativa de marcar contraste político entre governo e oposição.

A entrada de Soraya reorganiza uma disputa que já era tratada como ampla e fragmentada. Além da deputada do PL, estão no páreo nomes como Odair Cunha (PT-MG), Danilo Forte (PP-CE), Adriana Ventura (Novo-SP), Hugo Leal (PSD-RJ), Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e Gilson Daniel (Podemos-ES).

Entre esses concorrentes, Odair aparece como um dos mais competitivos por contar com o apoio declarado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), dentro de um acordo político costurado na eleição para o comando da Casa.

A vaga em disputa foi aberta com a aposentadoria compulsória do ministro Aroldo Cedraz. Pela regra, cabe à Câmara escolher o indicado, em votação secreta no plenário. Antes disso, os candidatos devem passar por sabatina na Comissão de Finanças e Tributação. A tendência é que a eleição ocorra na próxima terça-feira (14), em turno único, o que amplia o peso das articulações de bastidor e favorece composições de última hora entre as diferentes candidaturas. Em seguida, o aprovado terá seu nome apreciado pelo Senado. Ao final, há ainda um filtro final aplicado pelos próprios ministros do tribunal de contas, que avaliam a idoneidade moral e a reputação do indicado.

Flávio Bolsonaro afirmou que trabalhará para unificar candidaturas de direita em torno de Soraya e, ao mesmo tempo, usou a escolha para desgastar o PT, sobretudo no debate sobre representação feminina em cargos de poder. Com isso, a eleição para uma cadeira no tribunal ganha contornos de prévia política entre aliados do governo, bolsonaristas e setores do Centrão.

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