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BATALHA PELO TCU

Indicado ao TCU pela Câmara terá de passar por crivo da Corte

Deputados se articulam por vagas no TCU. Disputa ocorre sob influência do filtro interno do Tribunal, que pode barrar a posse mesmo após aprovação no Congresso.

Congresso em Foco

18/2/2026 12:21

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A sucessão no Tribunal de Contas da União (TCU) se tornou uma das disputas mais sensíveis do ano na Câmara dos Deputados. A aposentadoria compulsória de Aroldo Cedraz, no próximo dia 26, abre uma vaga imediata na Corte. E a possível saída antecipada de Augusto Nardes, que avalia disputar o Senado pelo Rio Grande do Sul, pode criar uma segunda cadeira ainda em 2026.

A indicação das duas vagas cabe à Câmara. A votação é secreta e exige maioria absoluta, 257 votos. O sigilo amplia o risco de dissidências, dificulta o controle partidário e torna o resultado imprevisível.

Mas a sucessão não será apenas uma disputa de força política. Um elemento jurídico ganhou centralidade desde 2021: a possibilidade de o próprio TCU negar a posse de um indicado que não atenda aos requisitos constitucionais de idoneidade moral e reputação ilibada, a chamada exigência de "ficha limpa". Esse filtro pode se tornar decisivo em uma corrida que envolve nomes de peso da política nacional.

Sede do Tribunal de Contas da União em Brasília.

Sede do Tribunal de Contas da União em Brasília.Gabriela Biló/Folhapress

A primeira vaga

A cadeira de Aroldo Cedraz já está oficialmente aberta. O ministro completa 75 anos e deixa o cargo por aposentadoria compulsória. Ele tomou posse no TCU em fevereiro de 2007, após indicação da Câmara.

Um dos nomes mais fortes na disputa é o do deputado Odair Cunha (PT-MG), ex-líder do PT. Com seis mandatos, ele é o preferido do Palácio do Planalto para a vaga. A definição, porém, está longe de ser consensual.

O PSD lançou Hugo Leal (RJ), que aposta no perfil técnico e na atuação em temas orçamentários para conquistar votos além da bancada.

No União Brasil, dois nomes disputam espaço interno:

Elmar Nascimento (BA), ex-líder do partido e figura central nas negociações do Centrão;

Danilo Forte (CE), ex-presidente da Comissão de Orçamento, com trajetória consolidada na área fiscal.

Pelo PL, o vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (RJ), também é citado como possível candidato.

A segunda vaga pode mudar o tabuleiro

A incerteza maior envolve Augusto Nardes. No cargo desde 2005, ele só se aposentaria compulsoriamente em 2027, mas confirmou que avalia deixar o tribunal para disputar as eleições deste ano.

Se a saída se concretizar, o cenário político muda.

Entre os nomes ventilados para uma eventual segunda cadeira estão:

Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara e pré-candidato ao Senado;

Pedro Paulo (PSD-RJ), relator da reforma administrativa;

Roberta Roma (PL-BA), deputada em primeiro mandato, casada com o ex-ministro João Roma, que comandou a pasta da Cidadania no governo Bolsonaro;

Sílvio Costa Filho (Republicanos-PE), ministro de Portos e Aeroportos e deputado licenciado.

A possibilidade de duas vagas simultâneas estimula acordos cruzados: apoio a um candidato agora em troca de sustentação em uma segunda eleição. Ainda assim, lideranças reconhecem que o voto secreto reduz a previsibilidade e abre espaço para surpresas.

Como funciona a escolha

O TCU é composto por nove ministros:

Seis escolhidos pelo Congresso Nacional (três pela Câmara e três pelo Senado);

Três indicados pelo presidente da República, sendo dois oriundos da carreira técnica do tribunal.

As vagas de Cedraz e Nardes pertencem ao bloco da Câmara. Após a eleição interna, o nome precisa passar por sabatina e votação no Senado antes da nomeação formal. O cargo é vitalício, com aposentadoria compulsória aos 75 anos.

Os requisitos constitucionais

O artigo 73 da Constituição exige que o indicado:

  • tenha entre 35 e 70 anos;
  • possua idoneidade moral e reputação ilibada;
  • detenha notório saber jurídico, contábil, econômico, financeiro ou de administração pública;
  • comprove mais de dez anos de experiência profissional compatível.

Esses critérios não são meramente políticos; são exigências constitucionais.

O filtro interno do TCU

Desde dezembro de 2021, a análise desses requisitos passou a ter um procedimento formal. A Resolução TCU nº 334/2021 determina que, após a nomeação, o plenário do tribunal se reúna em sessão administrativa reservada para aferir se o indicado cumpre os requisitos constitucionais.

O texto é explícito:

"Não se dará posse ao nomeado que não atenda aos requisitos constitucionais da idoneidade moral e da reputação ilibada".

A norma lista hipóteses que podem impedir a investidura, como:

  • ação penal por crime doloso contra a administração pública;
  • ação de improbidade administrativa em fase avançada;
  • contas rejeitadas por irregularidade insanável;
  • sanções aplicadas por tribunal de contas;
  • afastamento cautelar de função pública.

A Constituição não concede expressamente ao TCU um poder de veto político. Mas, ao condicionar a posse à verificação desses requisitos, a resolução criou um filtro institucional que pode, na prática, impedir a investidura de um nome aprovado pela Câmara.

Se houver negativa de posse

Caso a Câmara aprove um nome por maioria absoluta e o plenário do TCU negue a posse com base na exigência de idoneidade, o cenário pode gerar:

  • desgaste político para a Câmara;
  • tensão institucional entre Legislativo e Corte de Contas;
  • eventual judicialização no Supremo Tribunal Federal.

Esse risco adiciona uma camada jurídica a uma disputa já marcada por forte articulação política.

Ficha limpa no centro da sucessão

Em uma corrida que envolve lideranças nacionais e trajetórias políticas longas, qualquer vulnerabilidade no histórico pode ganhar peso.

Não basta alcançar 257 votos em votação secreta.

O candidato precisará também superar o crivo constitucional do próprio tribunal.

É essa combinação — voto secreto, articulações transversais e a possibilidade concreta de negativa de posse — que transformou a exigência de idoneidade no eixo mais sensível da sucessão no TCU. A decisão começa na Câmara. Mas pode não terminar ali.

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Hugo Leal Aroldo Cedraz odair cunha Augusto Nardes arthur lira ficha limpa improbidade TCU Câmara

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