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Banco Master

CAE ouvirá presidente interino da CVM sobre fiscalização do Master

João Accionly deve tratar das medidas de fiscalização adotadas pela Comissão de Valores Imobiliários em relação ao Banco Master.

Congresso em Foco

18/2/2026 10:48

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Na próxima terça-feira (24), o grupo de trabalho responsável pelo acompanhamento das investigações relacionadas ao Banco Master prevê o depoimento de João Accioly, atual presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Convidado pelo presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Renan Calheiros (MDB-AL), Accioly deverá prestar esclarecimentos sobre as ações de fiscalização adotadas pela CVM em relação à atuação do conglomerado Master no mercado de capitais, incluindo eventuais processos administrativos, monitoramento de operações e medidas cautelares.

Presidente interino da CVM foi convidado pelo senador Renan Calheiros.

Presidente interino da CVM foi convidado pelo senador Renan Calheiros.Geraldo Magela/Agência Senado

Investigação sobre o Banco Master

As investigações tiveram início em 2024, no âmbito da Justiça Federal. Segundo a Polícia Federal, o Banco Master não teria recursos suficientes para honrar títulos com vencimento previsto para 2025. A apuração aponta que a instituição adquiriu créditos da empresa Tirreno sem efetuar pagamento e, posteriormente, vendeu esses ativos ao BRB, que teria desembolsado cerca de R$ 12 bilhões.

No curso do inquérito, a 10ª Vara Federal de Brasília determinou a prisão de Daniel Vorcaro, de outros quatro executivos do Banco Master e de mais dois investigados, além do afastamento de Paulo Henrique Costa da presidência do BRB. Vorcaro foi solto após 12 dias de prisão, com uso de tornozeleira eletrônica, por decisão da desembargadora federal Solange Salgado da Silva.

Paralelamente à apuração criminal, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A venda da instituição ao BRB foi vetada pela Diretoria de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, e a decisão final foi aprovada por unanimidade pela diretoria colegiada da autarquia.

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Banco Pleno

O Banco Central também decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e de sua distribuidora de títulos e valores mobiliários.

A instituição havia sido adquirida no segundo semestre de 2025 por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo o BC, a medida foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira do banco, com deterioração da liquidez e descumprimento de normas regulatórias. Lima e Vorcaro foram presos pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.

Lima é marido da ex-deputada e ex-ministra da Secretaria de Governo da Presidência no governo Bolsonaro, Flávia Arruda (PL-DF), com quem mantém um relacionamento desde 2023.

Colegiado

O grupo de trabalho foi instituído no início de fevereiro no âmbito da CAE, após o agravamento da situação financeira do Banco Master e a decretação de medidas pelo Banco Central. A iniciativa busca acompanhar os desdobramentos da liquidação de instituições ligadas ao conglomerado, apurar responsabilidades e avaliar eventuais falhas de supervisão por parte dos órgãos reguladores.

Desde sua criação, o colegiado tem articulado a convocação de autoridades do sistema financeiro, representantes do Banco Central e de órgãos de controle para esclarecer os fatos e dimensionar os impactos do caso sobre o mercado e os investidores.

Além de Renan Calheiros, compõe o grupo de trabalho:

  • Alessandro Vieira (MDB-SE);
  • Damares Alves (Republicanos-DF);
  • Eduardo Braga (MDB-AM);
  • Esperidião Amim (PP-SC);
  • Fernando Farias (MDB-AL);
  • Hamilton Mourão (Republicanos-RS);
  • Humberto Costa (PT-PE);
  • Izalci Lucas (PL-DF);
  • Leila Barros (PDT-DF);
  • Omar Aziz (PSD-AM);
  • Randolfe Rodrigues (PT-AP);
  • Soraya Thronicke (Podemos-MS).

Os suplentes do GT são:

  • Eliziane Gama (PSD-MA);
  • Fernando Dueire (MDB-PE);
  • Jorge Kajuru (PSB-GO);
  • Margareth Buzetti (PP-MT)
  • Nelsinho Trad (PSD-MS).

A expectativa dos senadores é reunir informações técnicas que possam subsidiar eventuais propostas legislativas voltadas ao fortalecimento dos mecanismos de fiscalização e à prevenção de riscos no sistema financeiro nacional.

De acordo com a instrução normativa, esses senadores poderão, entre outras ações:

  • apresentar requerimentos para convocação de autoridades e pessoas investigadas;
  • solicitar informações oficiais;
  • elaborar propostas legislativas relacionadas ao tema.

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