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Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa, diz diretor do BC

Diretor de Fiscalização do BR informou à Polícia Federal que o caixa do Master era incompatível com o tamanho da instituição.

Congresso em Foco

30/1/2026 16:57

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Durante seu depoimento à Polícia Federal, no final de dezembro, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, apresentou detalhes sobre a liquidação do Banco Master, investigado pela emissão e venda de títulos no mercado financeiro. De acordo com ele, a instituição, apesar de ser considerada um banco de médio porte, possuía apenas R$ 4 milhões em caixa, menos de um décimo do que se espera para este tipo de empresa.

"Apesar do Master ser um típico, nós chamamos S3, uma instituição de médio porte, dada a crise de liquidez do Master e com 80 bilhões de ativos totais, (...) o Master, antes da liquidação, só tinha R$ 4 milhões em caixa", relatou o diretor.

Confira sua fala:

Ao contrário dos demais depoentes, Ailton Aquino não falou na condição de investigado, mas sim de terceiro interessado na investigação. O Banco Central foi uma das primeiras instituições a identificar a fraude no Master, e determinou em novembro a sua liquidação, após a deflagração da operação Compliance Zero. Hoje a autoridade monetária trabalha para consertar o dano provocado pelo esquema.

Segundo Aquino, o valor encontrado em caixa no Master era muito inferior ao que se observa em outros bancos de tamanho parecido. "Para pontuar isso claramente, um banco de R$ 80 bilhões tem liquidez de R$ 3 bilhões, R$ 4 bilhões de títulos livres", explicou.

O diretor acrescentou que o Will Bank, braço digital do Master, também enfrentava uma crise interna pouco antes de ser liquidado, em janeiro. "Outro problema: as contas, as grades da Will, o pagamento da Will, estavam sendo muita [com] dificuldade o pagamento. O acompanhamento era por causa da crise de liquidez. Se fechava ou não fechava o caixa".

Ativos pessoais

Segundo Daniel Vorcaro, proprietário do Master, o dinheiro presente em caixa sequer tinha origem na instituição. Em seu depoimento, o banqueiro disse ter abastecido o banco com seus próprios recursos nos últimos meses antes da liquidação para tentar conter a crise interna de liquidez.

"Nos últimos seis meses, eu fiz cessão de ativos pessoais e integralizei esse recurso no banco", declarou, negando que tenha se beneficiado financeiramente da operação ou desviado recursos.

O banqueiro também rejeitou a ideia de que a crise tenha sido provocada por fraude deliberada. Para ele, o problema se agravou após a negativa do Banco Central à operação com o BRB, que poderia ter garantido uma solução estrutural para o banco.

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