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FRAUDE FINANCEIRA

Caso Master: diretor do BC diz que BRB poderia ter detectado fraude

Em depoimento à PF, Ailton Aquino afirma que BRB poderia ter detectado créditos falsos do Master e nega pressão política na liquidação do banco.

Congresso em Foco

30/1/2026 | Atualizado às 11:06

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O depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, no inquérito do caso Banco Master-BRB, detalha o que a autoridade monetária diz ter encontrado ao analisar as carteiras compradas pelo Banco de Brasília e depois "trocadas" por outros ativos. Ouvido pela Polícia Federal em 30 de dezembro de 2025, Aquino responsabilizou a governança do BRB por não ter detectado falhas, descreveu por que o BC concluiu que havia créditos inexistentes e negou ter sofrido pressão política na atuação do órgão. O conteúdo foi liberado após decisão do ministro Dias Toffoli.

Aquino foi direto ao afirmar que os controles internos do banco público deveriam ter identificado o problema: "Tenho certeza que a governança do BRB deveria ter identificado. Não tenho dúvida disso". E completou: "plicando-se técnicas é possível identificação da existência ou não dos créditos. Falha na governança do BRB".

Ele disse ainda que a supervisão do Banco Central cobrou explicações do BRB por ofícios formais: "O time da supervisão inquiriu muito o BRB, em vários ofícios… acerca da geração dos créditos".

O que é a Tirreno e por que virou peça central

No depoimento, Aquino trata a Tirreno como empresa ligada ao fluxo das carteiras investigadas e afirma que, nas bases do sistema, não apareciam movimentações financeiras compatíveis. Ele diz que o BC chegou à "certeza" após reunião com representantes da Cartos e da Tirreno, quando um deles teria afirmado que a estrutura teria gerado R$ 6,2 bilhões em créditos — algo que ele classificou como "impossível" tecnicamente.

A partir daí, relata que o BC procurou evidências objetivas de circulação de dinheiro e não encontrou: "Não foram identificados fluxos financeiros da Tirreno, TED, Pix ou câmbio". Ele acrescenta que, segundo a apuração descrita, o único relacionamento da Tirreno no sistema financeiro era com o Master, iniciado em 23/5/2025, e que também não havia registro no SCR de créditos tomados pela empresa.

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"CCBs… falsos": o ponto mais duro

Em um trecho central, Aquino afirma que as CCBs (Cédulas de Crédito Bancário) ligadas ao caso teriam sido emitidas pelo próprio Banco Master com base em créditos que não existiam, chamando-as de "insubsistentes, falsos… uma falsificação, uma fabricação de CCBs". Para contextualizar, ele compara o caso ao do Banco Cruzeiro do Sul, dizendo que fraudes massivas podem ser identificadas com técnicas de auditoria.

O "extrato" do Master e a contabilidade

Aquino também comenta o extrato apresentado no caso e sustenta que, em cessão sem retenção de risco, deveria haver reconhecimento de ganho contábil. Ele estima "a grosso modo" que, se o BRB pagou cerca de R$ 12 bilhões, o Master deveria reconhecer algo como R$ 5,5 bilhões de receita — e afirma que isso não foi feito. Quando a oitiva entra na hipótese de lançamento "em conta redutora", ele diz: "Do ponto de vista contábil, do COSIF, este lançamento não pode ser feito".

Liquidez e compulsório

Ao explicar a crise de liquidez do Master, Aquino menciona dificuldades até para cumprir o depósito compulsório e afirma que havia processo sancionador em curso. Ele resume o alerta que guiou a supervisão: "Como alguém que não tinha liquidez poderia gerar tanto crédito nessa magnitude para ceder ao BRB?" E cita um dado: antes da liquidação, o Master teria "só… R$ 4 milhões em caixa".

A "troca" e o que ficou pendente

Aquino descreve a etapa em que, após a identificação do problema, o BRB iniciou um processo para internalizar ativos do balanço do Master como compensação. Ele cita ofícios do BRB ao BC em 18 de junho de 2025 e 8 de julho de 2025, com lista de ativos substitutos (como crédito consignado, CRI, FII, títulos no exterior, ações e cotas). Mas afirma que a troca não foi completa e que ainda restariam cerca de R$ 2,3 bilhões ligados à Tirreno no balanço do BRB, porque "não tinha mais ativo dentro do balanço do Master possíveis de troca".

Ele também aponta necessidade de provisões elevadas e diz que a probabilidade era chegar a mais de R$ 5 bilhões em ajustes.

Medida prudencial "drástica" e sem relação com a compra

Questionado sobre a medida prudencial aplicada ao BRB, Aquino afirma que a resolução 4019/2011, da Comissão de Valores Mobiliários, é "medida drástica" e usada em casos graves. E enfatiza a cronologia para negar relação com a tentativa de compra: a medida é de 14 de outubro de 2025 e a negativa da aquisição, de setembro. A resolução prevê medidas prudenciais preventivas destinadas a assegurar a solidez, a estabilidade e o regular funcionamento do Sistema Financeiro Nacional.

"Não recebi nenhuma pressão"

Aquino negou interferência política: "não recebi nenhuma pressão… de autoridades da República". E rebateu a tese de que a supervisão equivaleria a ingerência: "Supervisão é supervisão. Administração é administração", afirmando que decisões como montar a carteira ligada à Tirreno partiram da gestão do banco.

Assista à íntegra do depoimento de Ailton Aquino à PF:

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