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Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa se contradisseram em acareação

Proprietário do Master e ex-presidente do BRB apresentaram versões distintas sobre venda de títulos da Tirreno Consultoria.

Congresso em Foco

29/1/2026 | Atualizado às 23:54

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O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, apresentou uma versão contraditória em relação ao depoimento do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, durante a acareação realizada em dezembro pela Polícia Federal no inquérito que investiga as duas instituições por fraude financeira.

Os dois relataram versões distintas sobre a origem da carteira de títulos da Tirreno Consultoria oferecida pelo Master ao banco público.

No depoimento conjunto, Vorcaro afirmou que não sabia que o banco acabaria repassando papéis ligados à Tirreno. Segundo ele, a proposta discutida era a venda de créditos originados por terceiros, de forma ampla, sem menção específica à companhia. No outro lado, Paulo Henrique Costa disse não ter sido informado de que os títulos seriam de terceiros, mas sim do próprio Master.

Narrativas conflitantes

No depoimento, Vorcaro alegou que sequer estava a par da inclusão de títulos da Tirreno na carteira de investimentos em negociação, mas que os dois banqueiros haviam conversado mais de uma vez sobre o fato de se tratarem de papéis de terceiros.

"A gente anunciou que faria vendas de originadores terceiros, nem eu sabia do nome Tirreno naquela ocasião, mas a gente chegou a conversar por algumas vezes, que um novo formato de comercialização, que seria de terceiros, carteiras originadas por terceiros e não mais originação própria", declarou.

Solicitado para comentar, Henrique Costa rebateu: "o entendimento que eu coloquei é que eram carteiras originadas pelo Master, negociadas com terceiros, e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente".

Em seguida, Vorcaro completou sua própria versão: "eram carteiras dos mesmos originadores que faziam originação para o Master, mas não especificamente originadas por nós".

Confira a íntegra da acareação:

Tirreno Consultoria

A Tirreno Consultoria é investigada pela Polícia Federal como uma das principais empresas utilizadas pelo Master para a emissão dos títulos de crédito falsos inseridos no mercado financeiro.

Criada em novembro de 2024, a Tirreno fechou um único contrato durante sua operação, tendo o Master como cliente. A companhia foi gerida por Oliveira Seixas Maia, ex-funcionário de Vorcaro. Seu capital social, originalmente de R$ 100, saltou para R$ 30 milhões em apenas cinco dias.

Segundo a Polícia Federal, o Banco Master estava sem recursos em 2025 para pagar por seus próprios títulos emitidos no mercado. Para solucionar a crise, adquiriu créditos da Tirreno sem pagar, que em seguida foram vendidos ao BRB por R$ 12 bilhões. Logo em seguida, os papéis desvalorizaram, prejudicando o banco brasiliense.

BRB e Master

A PF busca descobrir se, ao adquirir créditos de origem suspeita e tentar comprar o próprio Master, Paulo Henrique Costa e outros gestores teriam utilizado a estrutura do BRB para auxiliar clandestinamente a instituição pertencente a Vorcaro diante da crise interna.

Em nota, a defesa de Paulo Henrique Costa negou a acusação. "É incorreto enquadrá-la como aquisição indiscriminada ou tentativa de salvamento. A transação foi estruturada com participação de áreas técnicas, consultores e assessores externos independentes, seguindo as práticas usuais do mercado e o planejamento estratégico".

Questionado pelos investigadores, Vorcaro negou que se tratasse de uma venda irregular, e acusou o Banco Central de endossar a transação. A autoridade monetária, em resposta, negou a recomentação e ressaltou que seu papel é de averiguar a liquidez de empresas inseridas no Sistema Financeiro Nacional, inclusive durante aquisições, e não de indicar a viabilidade ou o grau de risco de investimentos das instituições.

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Daniel Vorcaro Paulo Henrique Amorim Banco Master BRB Polícia Federal

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