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CASO BANCO MASTER

Haddad diz que não havia indícios de crime quando Lula recebeu Vorcaro

Ministro afirma que encontro ocorreu antes de surgirem suspeitas e diz que decisões do Banco Central seguiram critérios técnicos.

Congresso em Foco

29/1/2026 13:39

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (29) que o presidente Lula recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro em um momento em que ainda não havia "indícios de crime" envolvendo o Banco Master. Segundo Haddad, eventuais decisões do Banco Central sobre a instituição financeira seguiram critérios estritamente técnicos.

"O rumor existia desde 2024, mas você não tinha indícios de crime de fraude, parecia um negócio mal feito, e aí o cara falava que estavam com ciúmes dele, que vai desafiar o sistema bancário, Itaú que se cuide. Era isso que se ouvia", disse Haddad em entrevista ao portal Metrópoles.

O ministro reiterou que nem ele nem o presidente tinham elementos, à época, que justificassem qualquer alerta formal sobre o banqueiro. Haddad afirmou ainda que nunca manteve relação pessoal ou institucional com Vorcaro.

"Eu não conheço essa pessoa (Vorcaro). Até outro dia, eu não saberia se ele estava no ambiente ou não, porque não tinha visto sequer foto dele. ão conheço essa pessoa, nem ele nem ninguém da família dele, nem primo, nada", declarou.

Haddad também disse que jamais recebeu o banqueiro no Ministério da Fazenda. "Eu quis me preservar, mas eu não tinha elementos para negar uma audiência. Eu me encontro com muito empresário", afirmou.

Haddad sobre Vorcaro:

Haddad sobre Vorcaro: "Não conheço essa pessoa, nem ele nem ninguém da família dele".Pedro Ladeira/Folhapress

Galípolo e Campos Neto

Ao comentar o avanço das investigações, o ministro destacou que a gravidade do caso só ficou clara após a mudança no comando do Banco Central, em 2025, com a posse de Gabriel Galípolo.

"Ele tem total clareza de que ali é a maior fraude bancária, possivelmente, da história do Brasil", disse Haddad. Segundo ele, a nova gestão da autoridade monetária agiu rapidamente diante do problema. "A gestão Gabriel Galípolo não demorou a atuar no caso Master. Eu sei porque eu acompanhei de perto. Eu tomei conhecimento nas primeiras semanas da gestão do Gabriel da gravidade da situação e o Gabriel tomou todas as providências necessárias."

Haddad afirmou que acompanhou o caso por envolver o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e o risco de impacto fiscal. "Por orientação minha, do Galípolo e do próprio presidente da República, todos os procedimentos foram: 'Vamos levar às últimas consequências o que aconteceu."

O ministro disse ainda que a liquidação do banco foi conduzida com rigor técnico. "Tem que fazer com muita seriedade, sem pirotecnia, e isso foi feito."

Ele disse que não havia interlocução com o Banco Central na gestão de Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro. "Não houve dialogo do BC com Fazenda a não ser a partir da posse do Galípolo. O Gabriel [Galípolo], logo que assumiu, percebeu o tamanho do 'acabaxi' que ele tinha, viu que a situação era muito grave, em poucos meses envolveu Ministério Público e Polícia Federal porque havia suspeitas de fraude em carteiras", afirmou.

Caça às bruxas

Haddad também comentou o financiamento político de integrantes da família de Vorcaro, apontando que a informação pode orientar investigações, mas defendeu que as apurações não sejam politizadas.

"Eu não sei onde vai chegar, em quem vai chegar, o importante é chegar. O importante é que a polícia não tenha trava para fazer o trabalho dela, sem politização, sem caça às bruxas, sem querer carimbar agremiações partidárias – tem gente no PL que é decente, tem gente que pode não ser e assim vale para todos."

O ministro criticou ainda a politização em torno da criação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar as denúncias contra o Banco Master. "Se politizar, no mal sentido da palavra, ela beneficia o criminoso. Se você quer a verdade, e aí não importa de que igreja a pessoa é, de que partido a pessoa é, ela é punida. Não importa qual é a filiação da pessoa." Há quatro requerimentos pedindo a instalação de uma CPI na Câmara, no Senado e no Congresso.

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