O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), dos Estados Unidos, prendeu nesta segunda-feira (13) o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). A informação foi confirmada por integrantes da Polícia Federal. A detenção ocorre meses depois de o governo brasileiro formalizar junto às autoridades americanas o pedido de extradição do ex-parlamentar, condenado pelo Supremo Tribunal Federal no processo sobre a trama golpista.
Delegado da PF e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Jair Bolsonaro, Ramagem recebeu pena de 16 anos de prisão no julgamento conduzido pelo STF. Segundo a Polícia Federal, ele fugiu do Brasil em setembro, antes mesmo do desfecho do caso, e seguiu para os Estados Unidos para escapar do cumprimento da condenação. De acordo com aliados do ex-deputado, ele pretendia pedir asilo político ao governo norte-americano.
Em nota, a PF afirmou que a prisão aconteceu por meio de cooperação policial internacional entre autoridades policiais brasileiras e norte-americanas. "O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito", declarou.
Fuga pela Guiana
O pedido brasileiro de extradição foi formalizado em janeiro deste ano, depois de solicitação do ministro Alexandre de Moraes. Conforme o Ministério da Justiça, a documentação foi entregue pela embaixada do Brasil em Washington ao Departamento de Estado dos EUA em 30 de dezembro de 2025. Até então, não havia prazo definido para a análise do caso pelas autoridades americanas.
Ainda segundo informações repassadas ao STF, Ramagem teria deixado o país pela fronteira com a Guiana e embarcado para os Estados Unidos com passaporte diplomático. Na época, ele já era alvo de restrições impostas pela Corte, entre elas a proibição de sair do Brasil durante a investigação.
Perda do mandato
A situação jurídica do ex-deputado se agravou no fim do ano passado, quando a Câmara declarou a perda de seu mandato em razão da condenação criminal. Desde então, o caso passou a reunir três frentes paralelas: a execução da pena definida pelo STF, o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro e, agora, a prisão em território americano informada pela PF.
Caçada a imigrantes
No segundo mandato de Donald Trump, o ICE se consolidou como o principal instrumento da política de endurecimento migratório nos Estados Unidos. A atuação da agência foi ampliada com operações no interior do país, aumento das detenções e maior uso de mecanismos de remoção acelerada, além da cooperação com polícias locais.
Segundo análise do Conselho de Relações Exteriores, essa guinada veio acompanhada da expansão das batidas migratórias e do alargamento do alcance da fiscalização, que deixou de se concentrar apenas na fronteira para atingir também cidades, locais de trabalho e outros espaços dentro do território americano.
O governo Trump sustenta que essa estratégia já produziu números recordes. Em balanço divulgado em janeiro de 2026, o Departamento de Segurança Interna afirmou que, desde 20 de janeiro de 2025, quase 3 milhões de imigrantes em situação irregular deixaram o país, incluindo cerca de 2,2 milhões de "auto-deportações" e mais de 675 mil deportações formais. O dado oficial é usado pela Casa Branca para reforçar o discurso de deportação em massa, embora parte desse resultado decorra não apenas de remoções executadas pelo Estado, mas também da pressão para saídas voluntárias.