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Na Alemanha, Lula critica barreiras da UE ao biocombustível

Na feira de Hannover, presidente contesta restrições europeias aos biocombustíveis, defende o acordo Mercosul-UE e afirma que o Brasil não aceitará mais ser tratado como país "invisível".

20/4/2026
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O presidente Lula aproveitou a vitrine internacional da Hannover Messe 2026, na Alemanha, para mandar um recado político e comercial à Europa: o Brasil não aceita mais ser tratado como país periférico nem concorda com regras que, segundo ele, prejudicam a entrada de biocombustíveis brasileiros no mercado europeu.

Ao abrir o Pavilhão Brasil ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, Lula afirmou que o país "cansou de ser tratado como país pobre, de Terceiro Mundo e invisível" e defendeu o fortalecimento da parceria com a Alemanha e com a União Europeia. O Brasil é o país-parceiro oficial da feira neste ano, com participação de 300 empresas e 140 expositores.

Lula exibe biocombustível brasileiro em feira na Alemanha.Ricardo Stuckert/PR

Recado à Europa

O principal discurso de Lula foi direcionado às normas europeias que, na avaliação do governo brasileiro, funcionam como barreiras ao biocombustível produzido no Brasil. No Encontro Econômico Brasil-Alemanha, realizado durante a feira, o presidente rechaçou a tese de que a expansão desse setor ameaça a produção de alimentos.

"Ninguém come biodiesel, ninguém come gasolina, as pessoas comem comida", disse. Segundo ele, o Brasil tem condições de ampliar a produção de energia limpa sem comprometer a segurança alimentar.

Lula também criticou propostas em discussão na União Europeia sobre regulação de biocombustíveis e cálculo de carbono. Para o presidente, essas medidas desconsideram práticas sustentáveis adotadas no Brasil e ignoram que a matriz energética brasileira é baseada em fontes mais limpas do que as de muitos países europeus.

Defesa do acordo União Europeia-Mercosul

Além da agenda energética, Lula voltou a defender o acordo entre Mercosul e União Europeia. Disse que o tratado é essencial para ampliar o comércio entre os dois blocos e cobrou mais empenho dos setores favoráveis à sua implementação, especialmente no lado europeu.

Segundo o presidente, é preciso que os defensores do acordo "falem mais alto" do que os grupos que se opõem ao avanço do tratado.

Vitrine de tecnologia brasileira

A visita de Lula à feira também foi marcada por passagens em estandes de empresas brasileiras e pela defesa do potencial nacional em inovação e transição energética. No espaço da Weg, o presidente conheceu motores mais sustentáveis em desenvolvimento. Depois, visitou o estande da empresa brasileira B8, que apresentou o biocombustível BeVant.

Lula chegou a subir em um caminhão da Mercedes-Benz que utiliza esse combustível e que, segundo os expositores, pode reduzir em até 99% as emissões de CO2 em comparação com o diesel fóssil. Ao comentar o tema, o presidente afirmou que o Brasil tem "a fonte energética mais limpa do mundo" e destacou a mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel comercializado no país.

No estande da ApexBrasil, Lula entrou no eVTOL da Eve, subsidiária da Embraer. A executiva Juliana Kiraly informou que a primeira operação comercial do modelo deverá ocorrer em São Paulo, por meio da empresa Revo. O presidente também conversou com representantes da Vale e conheceu um ônibus elétrico utilizado no transporte público de Hanôver.

A agenda serviu para reforçar a tentativa do governo de projetar o Brasil como fornecedor estratégico de energia limpa e como parceiro industrial relevante em meio à corrida global por descarbonização.

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