Durante pronunciamento de homenagem ao Dia do Trabalhador, divulgado em rede nacional de televisão nesta quinta-feira (30), o presidente Lula anunciou as principais políticas econômicas em andamento no governo federal. O chefe do Executivo também defendeu o fim da escala de trabalho 6x1, promovendo o projeto de lei enviado ao Congresso Nacional, e fez um balanço dos resultados financeiros de sua gestão.
"Você que tem carteira assinada, que é MEI, que trabalha por aplicativo, que faz bico, que vende pela internet, você que cuida, que ensina, que pega ônibus cheio, você que planta, colhe, cozinha e constrói, você que é uma pessoa honesta e batalhadora, você que vive do próprio trabalho, seja ele qual for, tenho uma certeza nesse primeiro de maio, o governo do Brasil está adicionado", declarou.
Confira o pronunciamento:
O discurso foi aberto com o anúncio da retomada do programa Desenrola Brasil, voltado à renegociação de dívidas de famílias endividadas. O plano, instituído no início do governo, foi retomado diante do pico de dívidas familiares no Brasil, que este ano chegaram a 80% dos lares segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O programa prevê renegociações de dívidas oriundas de faturas de cartão de crédito, cheque especial, crédito rotativo, crédito pessoal e parcelas do Fies, com possibilidade de redução de juros e descontos de 30% a 90% da dívida. Também será autorizado o saque de até 20% do FGTS. Em contrapartida, beneficiários ficarão proibidos de se cadastrar por um ano em plataformas de apostas, apontadas como um dos principais fatores de endividamento.
"O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet. (...) Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar a rendida de jogo dos maridos. Não foi o nosso governo que deixou as bets entrarem no Brasil, mas é o nosso governo que vai colocar um limite à destruição que elas vêm causando", disse.
Escala 6x1
O presidente Lula também reafirmou a defesa do fim da escala de trabalho 6x1, promovendo o projeto de lei que reduz a jornada de trabalho nacional das atuais 44 horas semanais para 40.
"O fim da escala 6x1 vai garantir mais tempo com a família, mais tempo para acompanhar o crescimento dos filhos, estudar, cuidar da saúde, ir à igreja, viver além do trabalho. Mais tempo para descansar, porque eu sei o quanto o trabalhador brasileiro está cansado", afirmou o presidente.
Segundo Lula, "não faz sentido que em pleno século XXI, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia".
O projeto apresentado pelo governo foi enviado no Congresso Nacional enquanto a PEC com mesmo conteúdo tramitava na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Segundo o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), a via de emenda constitucional seguirá como prioridade. O texto agora se encontra em debate na comissão especial de mérito, última etapa antes de ir a Plenário.
Crise dos combustíveis
No discurso, Lula também divulgou o pacote de ações implementadas pelo governo para conter o aumento dos preços dos combustíveis, decorrente da guerra no Golfo Pérsico, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo. "Quando os combustíveis sobem, o custo do transporte cresce, o preço dos alimentos aumenta e o custo de vida fica mais caro para o povo", apontou.
O chefe do Executivo enfatizou o conjunto de reduções de impostos sobre os combustíveis, principal estratégia adotada. "Em um mundo cada vez mais instável, com guerras e incertezas se espalhando, é fundamental que o governo do Brasil esteja do lado do povo. Nossa nação precisa ser protegida. Nossa soberania e nossas riquezas têm que ser defendidas", reforçou.
Balanço econômico
Em sua fala, Lula relembrou as reformas mais recentes aprovadas durante o seu governo, como a isenção total do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, a isenção da conta de luz para famílias de baixa renda, a ampliação da licença-paternidade e o programa Gás do Povo. "Mas tudo isso ainda é pouco diante das necessidades das famílias brasileiras", ponderou.
O presidente ainda exaltou os últimos resultados econômicos do país. "Temos a menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil, a melhor taxa de desemprego e o rendimento médio dos trabalhadores é o maior da história do Brasil"