Durante entrevista divulgada na sexta-feira (1º), data em que se comemora o Dia do Trabalhador, o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, afirmou ser contrário à proibição do trabalho infantil no Brasil. Ele também anunciou que, se eleito, pretende mudar a legislação no tema.
"Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal, recebe lá não sei quantos centavos por cada jornal entregue, no tempo que tem. Aqui é proibido, né? Você tá escravizando criança. Então é lamentável. Mas tenho certeza que nós vamos mudar", disse o pré-candidato ao podcast Inteligência Ltda.
Segundo o ex-governador, "a esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança". Ele revelou que começou a trabalhar aos cinco anos de idade, auxiliando o pai com a venda de peças automotivas, obtendo a primeira carteira de trabalho aos 14 anos de idade.
Nas redes sociais, Zema completou sua fala: "Diferente da esmagadora maioria da classe política, eu vim do chão de fábrica. Paguei imposto minha vida inteira, e sei muito bem o que é suar pra bancar um país corrupto que suga seu povo. Por isso que eu digo. No Brasil nós temos dinheiro, temos recursos naturais, temos um povo trabalhador. O que sobra aqui é ladrão".
O ex-governador também relembrou que na atual legislação, o trabalho já é permitido na modalidade de jovem aprendiz a partir dos 14 anos. "O que eu defendo é ampliar oportunidades para quem quer começar cedo. Com proteção, sem atrapalhar a escola, como já acontece em vários países desenvolvidos. Porque o maior erro é deixar o jovem sem perspectiva, ou na informalidade. É aí que o tráfico faz a festa", publicou.
Veja sua publicação:
Governo reage
Após a divulgação da entrevista, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, comentou sua fala. "Defender o trabalho infantil é um ato de covardia. O cidadão que faz isso no Dia do Trabalhador vai além: dá sérios sinais de ser um psicopata. O nome dele é Romeu Zema", publicou em suas redes sociais.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, também se pronunciou. "Romeu Zema normalizando criança trabalhando como se fosse algo positivo… no Dia do Trabalhador. O Brasil já superou 350 anos de escravidão mas essa mentalidade insiste em aparecer. E ainda quer ser presidente da república uma figura como essa".