O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, tentou se desvincular politicamente do senador Ciro Nogueira (PP-PI) após a nova fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master.
As declarações foram dadas nesta sexta-feira (8), durante agenda de pré-campanha em Florianópolis (SC). Ao ser questionado sobre a possibilidade de Ciro integrar uma futura chapa presidencial como vice, Flávio afirmou que nunca oficializou convite ao aliado e disse que apenas considerava o nome do presidente do PP como "um bom perfil" para a vaga.
"Olha, vocês querem me vincular com o Ciro Nogueira, mas o Banco Master é do Lula", declarou o senador a jornalistas, na saída da exibição do documentário A Colisão dos Destinos, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Como chefe da Casa Civil, Ciro foi um dos ministros mais poderosos do governo Bolsonaro.
Flávio nega responsabilidade por aliados
O pré-candidato a presidente também reagiu às perguntas sobre sua proximidade política com Ciro Nogueira. O senador afirmou que não pode ser responsabilizado por eventuais atos de pessoas próximas a ele.
"Não é que as pessoas têm proximidade comigo que eu vou ter que responder pelos atos dela, gente, pelo amor de Deus", disse.
Apesar de tentar afastar o caso de sua pré-campanha, Flávio comentou a investigação contra Ciro e defendeu que o aliado terá condições de se explicar no Supremo Tribunal Federal.
"Já falei várias vezes. [Em relação a] Ciro, são acusações graves e ele tem a sorte de responder a um relator que não vai sacaneá-lo como o Alexandre de Moraes fez com o presidente Bolsonaro. Um relator sério, que é o André Mendonça. Então ele vai se defender das acusações gravíssimas", afirmou.
Declarações anteriores sobre Ciro
Em entrevista à Folha de S.Paulo em junho de 2025, Flávio havia dito que Ciro Nogueira tinha "todas as credenciais" para ser vice em uma chapa bolsonarista. Na ocasião, o senador destacou o perfil político do presidente do PP.
"Nordestino, de um partido grande e forte. Teve ali a lealdade ao presidente Bolsonaro [quando foi ministro]. Sem dúvida é um nome que está colocado", afirmou à época.
Nesta sexta, no entanto, Flávio buscou relativizar as declarações anteriores. Disse que nunca apresentou convite formal a Ciro e que qualquer composição eleitoral dependeria de articulações partidárias e do perfil buscado para a chapa.
PF mira Ciro em investigação sobre Master
Na quinta-feira (7), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Ciro Nogueira em uma nova etapa da operação Compliance Zero.
A investigação apura suspeitas relacionadas ao Banco Master. Segundo os investigadores, Ciro teria recebido valores repassados por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, controlador do banco. A PF também apura suspeitos pagamentos de despesas pessoais do senador, incluindo viagens em jatinhos particulares.
Ciro Nogueira negou irregularidades e afirmou que a operação tenta atingir sua imagem política em ano eleitoral.
"Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos", escreveu o senador nas redes sociais.
Senador tenta ligar caso ao PT
Após a ação da PF contra Ciro, Flávio Bolsonaro passou a defender a criação de uma CPI do Banco Master. Em vídeos publicados nas redes sociais, o senador afirmou que o Congresso precisa investigar o crescimento do banco e possíveis conexões com integrantes do PT.
"A CPI do Banco Master precisa sair no papel. O povo brasileiro merece saber toda a verdade: como esse banco cresceu? Quem estava por trás? Quem se beneficiou? E quais são as ligações do Master com a alta cúpula do PT nacional e da Bahia?", disse Flávio em uma das publicações.
O senador também afirmou que há "coincidências demais" entre o caso Master e o PT. A estratégia ocorre em meio à tentativa de aliados do governo de associar Ciro Nogueira à pré-campanha de Flávio.
Agenda em Santa Catarina
Mesmo com o desgaste envolvendo Ciro, Flávio Bolsonaro manteve a agenda política em Santa Catarina. Em Florianópolis, participou de reuniões, de um jantar com empresários e da exibição reservada do documentário sobre Jair Bolsonaro.
O senador também esteve com o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), pré-candidato à reeleição. Os dois visitaram o Complexo Penitenciário de São Pedro de Alcântara e posaram para fotos ao lado de policiais armados.
Neste sábado (9), o PL realiza um encontro estadual aberto ao público em Santa Catarina. O evento deve impulsionar pré-candidaturas do partido, incluindo os nomes de Carlos Bolsonaro e da deputada federal Carol De Toni, que concorrerão ao Senado pelo partido.