O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se manifestou, por meio de sua assessoria de imprensa, sobre o vazamento de um áudio enviado ao proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, em que solicita dinheiro para a produção do filme Dark Horse, sobre a campanha de Jair Bolsonaro em 2018.
O congressista afirmou que a conversa com o banqueiro ocorreu em contexto lícito, anterior à descoberta da fraude financeira, e cobrou a instalação de uma CPI para investigar as irregularidades envolvendo Vorcaro e o Banco Master.
"Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro", disse o senador.
Conversa vazada
O áudio de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro foi divulgado em reportagem publicada pelo portal The Intercept. Na mensagem, o senador relata dificuldades para pagar atores e demais funcionários contratados para a obra cinematográfica.
"Eu já tenho muita conta pra pagar esse mês e o mês seguinte também. E agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo, cara. Tudo em contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo", afirmou.
O senador também disse reconhecer que Vorcaro lhe deu "liberdade de cobrar", mas afirmou sentir constrangimento com isso. Além disso, manifestou solidariedade ao banqueiro por estar "passando por um momento dificílimo".
A conversa teria ocorrido em novembro de 2025, poucos dias antes da deflagração da Operação Compliance Zero e da liquidação do Master.
Após o vazamento, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (PT-SC), anunciou, em coletiva de imprensa, que solicitará investigação sobre os repasses junto à Receita Federal e à Polícia Federal, além da instalação da CPMI do Banco Master no Congresso Nacional e da CPI na Câmara.
Reação de Flávio
Na nota à imprensa, Flávio Bolsonaro afirma ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024, menos de um ano antes do início das investigações da Polícia Federal, e sustenta que, até então, não havia suspeitas públicas sobre as atividades do banqueiro.
O senador acrescentou que o contrato firmado com o proprietário do Master não envolvia interesse político nem recursos públicos.
"No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet", afirmou.
Segundo o parlamentar, o áudio foi enviado em um momento em que Vorcaro havia interrompido o pagamento das parcelas combinadas para o patrocínio.
Veja a íntegra da nota do senador:
"Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet.
Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme.
Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero: CPI do Master já."
Nas redes sociais, Flávio publicou um vídeo reforçando a mensagem. O senador também afirmou ter buscado outro patrocinador após o atraso de Vorcaro, e que o filme já está pronto.
Veja a fala: