O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou na quinta-feira (14) ter cometido irregularidades com sua ligação com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
O pré-candidato à Presidência reagiu à repercussão do caso e comparou o episódio a investimentos feitos pelo banqueiro em outros projetos, como em um programa do Luciano Huck.
Na entrevista, o senador tentou relativizar a controvérsia e questionou o tratamento dado ao caso. "Quando o Daniel Vorcaro, o banco dele, colocou R$ 160 milhões na Globo, no programa do Luciano Huck, entre 2025 e 2026, era dinheiro sujo? É dinheiro sujo?", questionou em entrevista na GloboNews.
Segundo Flávio, os recursos do Banco Master destinados à emissora teriam sido aplicados no programa de Luciano Huck. A partir desse exemplo, o senador argumentou que outras empresas e instituições também se relacionaram com Vorcaro sem que isso levantasse suspeitas na época. "Vocês sabiam da origem desse dinheiro? Eu acho que não, que vocês agiram de boa-fé, como eu agi de boa-fé", afirmou.
O parlamentar também negou que houvesse contrapartida política na relação com o empresário. Flávio afirmou que Vorcaro buscava retorno financeiro no projeto e não favores. "Ele não estava fazendo favor. Eu era senador de oposição. Eu não tinha absolutamente nada para oferecer em troca", declarou.
Financiamento
Na quarta-feira (13), o caso ganhou repercussão após a divulgação de áudios, revelados pelo Intercept Brasil, em que Flávio pede a Vorcaro R$ 61 milhões para o filme sobre o pai. O senador teria relatado dificuldades para pagar atores e demais funcionários contratados para a obra cinematográfica.
Em um primeiro momento, o parlamentar negou o contato com Vorcaro, mas voltou atrás e, em nota, disse que a conversa aconteceu em contexto lícito, anterior à descoberta da fraude financeira. Flávio afirmou que o áudio foi enviado em um momento em que Vorcaro havia interrompido o pagamento das parcelas combinadas para o patrocínio.
Presidência
Após o desgaste de Flávio, o nome de Luciano Huck voltou a circular nos bastidores da eleição de 2026. Huck reapareceu em conversas reservadas como possível alternativa fora da polarização entre lulismo e bolsonarismo. A avaliação, em setores políticos e empresariais, é que o apresentador poderia atrair eleitores do centro, liberais e parte da direita insatisfeita com as controvérsias recentes do campo bolsonarista.