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Pedido de vista adia votação da PEC do fim da 6x1 na comissão especial

Parecer apresentado na Câmara prevê redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, dois dias de descanso e regras de transição para empresas e setores específicos.

26/5/2026
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A votação da PEC que acaba com a escala 6x1 foi adiada nesta segunda-feira (25) na comissão especial da Câmara que analisa o mérito da proposta. O adiamento ocorreu após pedido de vista do deputado Maurício Marcon (PL-RS). O parecer deve voltar à pauta na quarta (27) ou na quinta-feira (28). A intenção do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), é votar a PEC no Plenário ainda nesta semana, após a votação na comissão.

O texto foi apresentado pelo relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), e propõe reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução salarial. A proposta também garante dois dias de descanso remunerado por semana, um deles preferencialmente aos domingos.

O que muda

Pelo parecer, a mudança principal é a substituição gradual da escala 6x1 por um modelo com mais tempo de descanso. Na prática, a proposta transforma a escala 5x2 em regra geral do mercado de trabalho brasileiro.

As principais mudanças são:

  • jornada máxima de 40 horas semanais;
  • manutenção do limite de 8 horas diárias;
  • dois dias de descanso remunerado por semana;
  • uma das folgas, de preferência, aos domingos;
  • proibição de redução salarial por causa da nova jornada.

Uma das propostas, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), previa a escala 4x3, com quatro dias de trabalho e três de descanso. O relator, no entanto, optou por uma versão mais gradual, considerada por ele mais viável para empresas, trabalhadores e setores econômicos com rotinas específicas. O outro texto era de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

Como será a transição

A redução da jornada não entraria em vigor de uma vez. O parecer de Leo Prates prevê uma adaptação em duas etapas:

  • 60 dias após a promulgação da PEC: a jornada cai de 44 para 42 horas semanais;
  • 12 meses depois: a jornada passa definitivamente para 40 horas semanais.

Com isso, a transição completa poderá levar até 14 meses. Segundo o relator, esse prazo permitiria que empresas reorganizassem escalas, revissem contratos e planejassem investimentos sem recorrer imediatamente a demissões ou aumento de preços.

Exceções e regras especiais

O texto permite adaptações para setores que funcionam de forma contínua ou têm escalas próprias, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana. Nesses casos, as regras poderão ser ajustadas por acordo ou convenção coletiva.

Mesmo com regimes diferenciados, alguns limites terão de ser respeitados:

  • média de dois dias de descanso por semana dentro do mês;
  • garantia de ao menos uma folga a cada semana;
  • respeito ao limite de 40 horas semanais, após a transição.

O parecer também prevê regras específicas para microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, por meio de lei complementar. A intenção é reduzir impactos sobre pequenos negócios, desde que os níveis de emprego sejam preservados.

Quem fica fora do controle de jornada

Profissionais com diploma de nível superior e salário mensal igual ou superior a duas vezes e meia o teto do INSS ficarão fora das regras obrigatórias de controle de jornada. Esse grupo é chamado no relatório de trabalhadores "hipersuficientes".

Para esses profissionais, a jornada poderá ser negociada de forma mais flexível. Ainda assim, o parecer mantém a exigência de dois dias de descanso semanal.

Contratos públicos

A proposta também cria uma regra de transição para contratos públicos, concessões e parcerias público-privadas que dependem diretamente de mão de obra.

Nesses casos:

  • a nova jornada só valerá após aditivo contratual;
  • o objetivo é recompor o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos;
  • os órgãos públicos terão até 12 meses para fazer os ajustes;
  • se não houver acordo no prazo, a redução passa a valer automaticamente, sem corte salarial.

Próximos passos

Para avançar, a PEC ainda precisa ser aprovada na comissão especial e depois no plenário da Câmara. Como se trata de uma proposta de emenda à Constituição, são necessários pelo menos 308 votos favoráveis, em dois turnos.

Se passar pela Câmara, o texto seguirá para o Senado. Lá, também precisará ser votado em dois turnos e obter o apoio de ao menos 49 senadores.

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