O ministro Alexandre de Moraes determinou nesta terça-feira (26) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresente em até cinco dias parecer sobre o pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) para incluir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito que investiga o ex-deputado Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo.
No pedido, Lindbergh solicita apuração sobre a possibilidade de Eduardo ter sido mantido nos Estados Unidos com recursos destinados à produção do filme Dark Horse, que retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018. Segundo a petição, a produção teria recebido patrocínio do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, com participação de Flávio Bolsonaro nas negociações.
Eduardo está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e responde a ação penal por suposta tentativa de pressionar autoridades brasileiras envolvidas no julgamento que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão, em setembro. A acusação sustenta que ele buscou articular sanções junto ao governo americano para favorecer a aprovação de uma anistia.
O parlamentar do PT argumenta que o filme poderia ter servido para custear a permanência e a articulação política de Eduardo no exterior, além de funcionar como peça de promoção eleitoral disfarçada de produção cinematográfica. Na petição, Lindbergh também pede quebra dos sigilos fiscal, bancário, telefônico e telemático de Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro, além de medidas cautelares como retenção do passaporte do senador e bloqueio de bens.
Em suas redes sociais, o parlamentar comemorou o andamento do pedido. "Vamos revelar a relação entre bolsonarismo e Banco Master e apurar se recursos ligados a Vorcaro foram usados para financiar ataques à soberania nacional, sanções contra autoridades brasileiras e a pressão por anistia aos golpistas. Vamos seguir o dinheiro", declarou.
Vazamentos
O pedido foi baseado em mensagens de texto e áudios divulgados pelo portal Intercept Brasil, nos quais Flávio Bolsonaro solicita recursos para a produção de Dark Horse. Segundo a reportagem, o senador pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para custear gravações e pagamento de atores, tendo recebido cerca de R$ 61 milhões em seis parcelas.
Os documentos também indicariam que Eduardo Bolsonaro teria atuado, ao lado da empresa GoUp Entertainment e do deputado Mario Frias (PL-SP), na gestão financeira da produção. Ele também teria orientado Vorcaro sobre formas de enviar recursos aos Estados Unidos sem chamar atenção das autoridades alfandegárias.
Após a divulgação das mensagens, Flávio Bolsonaro afirmou que os pedidos de recursos foram regulares, de natureza privada e anteriores ao surgimento de suspeitas contra Daniel Vorcaro. Eduardo Bolsonaro e Mario Frias negaram ter mantido contato com o controlador do Banco Master ou recebido recursos ligados a seus fundos de investimento para a produção do filme.
Processo: Inq. 4995-DF